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Contratar Bruno foi um grande erro do Boa

O clube mineiro caminha rapidamente para se tornar o mais odiado do futebol brasileiro

Almir Leite

14 Março 2017 | 11h47

Bruno apresentou-se perante as autoridades que dirigem o Boa, e à imprensa, impondo regras. Disse que não responderia a nenhuma pergunta que remetesse ao assassinato de Eliza Samudio. Direito dele. Assim como é direito, e dever, do jornalista perguntar o que quiser. Cabe a quem está do outro lado do microfone ouvir e não responder se não quiser. E muitas vezes, ao se negar a responder, acaba-se dando a resposta.

A assessoria do clube instalado na cidade de Varginha foi logo avisando aos jornalistas que se fossem feitas perguntas relacionadas ao caso que levou o goleiro a ser condenado, em primeira instância, a mais de 22 anos de prisão, a entrevista seria encerrada. Ameaça ao trabalho da imprensa.

É o tipo de ameaça que quando ocorre pode ser tranquilamente ignorada, desde que os repórteres façam as perguntas que queiram e devam fazer.

Mas a ameaça da turma do Boa é coerente. De um clube que toma a atitude de contratar alguém encalacrado com a Justiça pode-se esperar qualquer coisa. Inclusive tentar esconder as coisas.


Ressalte-se que Bruno, condenado a mais de 22 anos de prisão em primeira instância (nunca é demais repetir), só está em liberdade por culpa da letargia da Justiça brasileira, que ainda não o julgou em segunda instância sequer, e também por artifícios possibilitados por essa letárgica Justiça, que dá a benesse a quem tem recursos de gastar dinheiro com bons advogados, que sabem o que fazer para enrolar, e muitas vezes constranger, o Judiciário.

Goste-se ou não, Bruno estar na rua é legal (do ponto de vista da legalidade) . E não dá para dizer que não tem direito de querer trabalhar agora que está em liberdade.

Mas e um clube lhe dar guarita? É legal (do ponto de vista da atitude)?

A fuga de patrocinadores, a crítica de boa parte do País, a reprovação de boa parte dos torcedores do Boa (que, aliás, tem torcida mirada, pois quem é de Varginha torce mesmo é para o Flamengo local, não para um time criado em Ituiutaba), a ameaça da prefeitura da cidade de ficar do lado do povo, retirando o apoio ao time, respondem à pergunta.

Um dia Bruno será julgado de maneira definitiva. Pode ser absolvido, pode ter a condenação confirmada. Aí, depois de estar quites com a Justiça e com a sociedade, terá direito de retomar a vida, como qualquer cidadão, sem ninguém poder contestar.

Enquanto isso, tudo o que o Boa vai conseguir pela péssima ideia que teve é se tornar o clube mais odiado (ou no mínimo contestado) do futebol brasileiro.

Ou seja, se a contratação foi estratégia de marketing,  o responsável deveria ser demitido, pois até uma criança sabe que nesse caso a máxima “fale mal, mas fale de mim” não se aplica.

PS 1 – Na entrevista coletiva, a expressão de arrogância de Bruno quando se sentiu contrariado ficou bem nítida.

PS 2- Quem é Renê Moraes, presidente do Boa, para dizer aos jornalistas qual é a pauta?