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Federação joga o futebol do Rio no lixo

Almir Leite

26 Março 2015 | 13h09

Que a Federação de Futebol do Rio de Janeiro nunca fez nada pelo futebol carioca até um marciano sabe.  Já tivemos, por exemplo, um campeonato apelidado de “Caixão”, em 2002, referência ao antigo presidente, Eduardo Viana, o “Caixa D’Água”.  Foi uma disputa da qual os detalhes poucos sabem, quase ninguém viu (ah, o Fluminense foi o campeão).

Mas esse ano a entidade presidida por Eurico Miranda (ops!, Rubens Lopes) está se superando.

Como se não bastasse essa briga ridícula com Flamengo e principalmente Fluminense por conta do preço dos ingressos em jogos do Maracanã (a livre iniciativa, uma das molas mestras do capitalismo, indica que o preço de um produto ou serviço deve ser determinado por quem produz o bem ou presta esse serviço, e que é o mercado quem atua como juiz, determinando se o valor é justo ou não), de ter ameaçado o Fluminense com punição cobrando uma dívida (pra lá de discutível) que o clube teria com a entidade, a federação, na sua mais recente bola fora, quis fazer valer os efeitos da lei da mordaça contra Vanderlei Luxemburgo.

Com a ajuda de um procurador de seu tribunal, suspendeu o técnico do Flamengo por dizer o que pensa – aliás, muita gente pensa como ele em relação ao absurdo que é limitar a inscrição de jogadores no campeonato, absurdo que se torna maior com a limitação em cinco do número de jogadores jovens que podem ser inscritos.

Mesmo que Luxemburgo, que ao longo da carreira falou muita besteira, estivesse errado nesse caso, não caberia punição – até porque usou o termo porrada de maneira figurada, no sentido de crítica, algo que até uma criança compreendeu e que o tal procurador do tribunal parece não ter compreendido – será falta de cultura?

( Não sou advogado, mas o tal artigo 35 da lei da mordaça, aliás, cheira a inconstitucionalidade).

Ainda bem que uma liminar meio que colocou os pingos nos is. Mas não servirá para reduzir os efeitos que mais esse soco no queixo do campeonato trará. A rigor, e apesar dos 56 mil presentes no Flamengo x Vasco, o torcedor não está nem aí para a versão 2015 do “Caixão” – será homenagem póstuma?

Foi mais um desserviço da Fferj ao futebol carioca, que já não anda lá grande coisa faz muito tempo. E não serviu nem para tornar o tal procurador conhecido. A partir do episódio, ficamos sabendo que ele existe. Mas quem  lembra o nome dele? E que importância isso tem?