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Futebol olímpico em São Paulo. Muita fumaça e pouco fogo

Almir Leite

18 Março 2015 | 18h45

São Paulo pode até vir a ficar fora da Olimpíada de 2016, recusando-se a sediar os torneios de futebol, masculino e feminino. Mas quase tudo que vem sendo falado e escrito sobre o tema nesta última semana não passa de especulação, motivada por jogo de interesses. “Fanfarras”, na definição de alguém com excelente trânsito no Comitê Rio 2016.

É verdade, e acima de tudo justo, que o Corinthians, não queira gastar um tostão para que seu estádio receba os jogos – são necessárias algumas adequações. Já vai ceder sua arena, o que significa que poderá ficar um bom tempo sem faturar – embora o Campeonato Brasileiro vá ser paralisado.

É verdade, também, que a Prefeitura paulistana, com tantos problemas pra resolver e diante de um quadro político pra lá de complicado para o PT, não está disposta a gastar um tostão com esse negócio de Olimpíada.

Mas, a rigor, para por aí. Como relata esse meu interlocutor com trânsito no Comitê, “até agora ninguém disse ao Comitê que não quer realizar a Olimpíada em São Paulo. Ao contrário, na reunião (ocorrida quarta-feira, dia 11 de março) todos disseram que estão bastante interessados”.

Ele admite que, mesmo com o interesse, as partes reconhecem que precisam encontrar os meios que viabilizem a empreitada.  É isso que está sendo feito nesta semana, para que na reunião marcada para a próxima segunda-feira em São Paulo, possa estar tudo bem encaminhado.

O Corinthians, escaldado que está e que ainda por cima anda passando o pires, dificilmente mudará de ideia. Mas a Prefeitura busca soluções, procura formas de viabilizar as estruturas e materiais necessários. Nessa busca, até parcerias são cogitadas.

Faz isso de posse do caderno de encargos, que nem de longe lembra o calhamaço que era o da Copa do Mundo. Não é nenhum bicho de sete cabeças, admite integrante da administração municipal.   O Estado também está estudando o assunto, pois poderá vir a colaborar.

Certo é que, nesse momento, não dá para dizer que São Paulo terá a Olimpíada (vontade de todos) nem que não terá. “Mesmo porque, ninguém sabe ainda quanto precisará ser gasto. Se 1, 30, 300 ou milhões de reais. Estão chutando para todos os lados sem saber sequer o que de fato é necessário. É piada”, considera meu interlocutor.

Algo que não tem sido comentado, é que o governo federal poderá vir a colaborar com a cobertura dos custos. E até o Comitê Rio, que não parece nada entusiasmado com a possibilidade de pôr dinheiro para garantir a participação de São Paulo –  mesmo porque há outras opções – poderá mudar de ideia se concluir que vai ser interessante esportivamente.

Por enquanto, tal possibilidade está descartada. Tanto que os responsáveis pela confecção as tabelas trabalham em três ou quatro versões.  Mas ainda apostam que prevalecerá a que marca 10 ou 11 jogos para a arena corintiana.