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Já está na hora de Eduardo Baptista mostrar a que veio

Palmeiras não tem time definido, não tem padrão de jogo e está longe de apresentar um futebol convincente

Almir Leite

04 Maio 2017 | 16h23

Talvez pela mania de remar contra a maré, não faço parte do imenso grupo que defende que o treinador SEMPRE tem de ter tempo para trabalhar. Acredito que tempo está ligado diretamente a um bom trabalho. Se o trabalho não é bom, não importa se o técnico está no clube há um semana, um mês, um ano. A rota tem de ser corrigida.

Bom trabalho não se afere necessariamente pelos resultados, embora este seja o indicador mais utilizado. Pode-se avaliar, entre diversos fatores, a proposta de jogo, as variações táticas, como o treinador lida com a pressão, a ascendência sobre o grupo de jogadores…

Se o treinador está no bom caminho os resultados acabarão por vir, mais cedo ou mais tarde. E enquanto não vem, haverá corriqueiramente sinais de que as coisas podem dar certo. Tais sinais têm sido raros no Palmeiras de Eduardo Baptista.

Até agora, começo de maio do ano da graça de 2017, a equipe não engrenou. Apesar do bom e sortido elenco, jogou futebol sofrível na maioria das partidas que fez no Campeonato Paulista e, principalmente, na Libertadores – onde, convenhamos, está em um grupo é bem fraco.

No torneio que é a grande meta do clube para a temporada, até porque é preciso conquistá-lo para correr atrás do sonho do Mundial, a rigor o time teve apenas um tempo de futebol de qualidade, naquela vitória em Montevidéu sobre o Peñarol. Bom desempenho precedido por atuação desastrosa na etapa inicial. Nos outros jogos sofrimento e sufoco foram a tônica.

O Palmeiras de Eduardo Baptista ainda não tem um time definido, a forma de jogar também parece não se encaixar nas características dos jogadores. O elenco é recheado de atletas ofensivos, agudos, e o jogo cadenciado não tem dado certo. Sem contar que a defesa, com buracos no miolo de zaga e na lateral esquerda, tem tomado gols de maneira excessiva. Falta maior proteção e, talvez, melhor posicionamento.

Eduardo Baptista é treinador recente. Teve duas boas passagens por times médios no futebol brasileiro, em que a pressão nem de longe se assemelha à de um Palmeiras. Montou equipes eficientes, mas que jogavam fechadas e apostavam no contra-ataque.

No Palmeiras não dá para fazer isso. Como não deu no Fluminense, onde Eduardo também não foi bem. É certo que pegou tempos tumultuados, com cartolas interferindo no time, com medalhões querendo fazer o que bem entendiam. Mas não conseguiu domar as feras e em nenhum momento deu padrão de jogo, mínimo que fosse, ao time.

A desconfiança do palmeirense em relação a seu trabalho existe desde antes de ele se apresentar. E talvez tenha sido um erro querer fazer o time jogar de maneira diferente daquela que deu certo com Cuca – Eduardo pode ter feito essa opção justamente buscando se diferenciar do antecessor -, quando poderia ter sido melhor manter o estilo e, com o tempo, aprimorá-lo, colocando alguns de seus conceitos.

Mas o fato é que Eduardo Baptista dá sinais de indecisão. De nada adianta a explosão e os socos na mesa que deu no Uruguai (compreensíveis, pela situação ímpar e perigosa que os palmeirenses viveram ao fim do jogo com o Peñarol) se ele continua com fisionomia de quem se assusta com barulho de buzina. É preciso passar segurança a torcedores, críticos, conselheiros, dirigentes e jogadores. E, sobretudo, fazer um trabalho pautado pela convicção e coerência.

Precisa dizer a que veio. Se impor. Dar padrão ao time. Encontrar um norte. Rapidamente. Do contrário, vai ter dificuldade para se sustentar no cargo.