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Lista de Tite não é unanimidade. Graças a Deus!

Opções do treinador para a Copa são contestadas por quem ele escolheu e por quem deixou de fora; em 2014, todo mundo concordou com a lista de Felipão. Deu no que deu

Almir Leite

15 Maio 2018 | 11h10

Quando Felipão anunciou seus 23 para a Copa do Mundo de 2014, imprensa e torcida contestaram apenas um jogador: Henrique. A preferência era por Miranda. Os outros 22, o treinador convenceu a todos de que eram de fato os melhores. Ninguém contestou Dante, Jô, Bernard… Deu no que deu.

Quatro anos se passaram e Tite goza de tanto, ou talvez mais, prestígio, que Felipão tinha em 2014. Afinal, levou a seleção a recuperar o prestígio que perdera em 2014 e nos anos seguintes.

Ainda assim, seus 23 foram alvo de contestação bem maior do que os de Felipão. Basicamente, a crítica é pela convocação de Taison e as não convocações de Arthur e Luan.

Há outras reclamações, porém menores. Os laterais-direitos, Fagner e Danilo, são alvo de desconfiança, embora fosse certo de que pelo menos um deles estaria na lista se Daniel Alves estivesse apto para ir à Copa. Também há os que preferiam ver Alex Sandro no lugar de Filipe Luis.

Renato Augusto também é contestado porque dizem (já que ninguém acompanha) que não está bem na China. Fred motiva narizes torcidos porque muitos não o conhecem. Taison joga no mesmo clube de Fred, mas este todos conhecem o suficiente para dizer que não serve.

Com o coração, há os que reclamam de haver muitos corintianos, ou ex-corintianos, na lista, dando a entender que o treinador favoreceu o time que deu a ele condições de ir à seleção. Bobagem. Rodriguinho ficou fora. Eu me preocuparia mais com o fato de o meu time não ter um jogadorzinho sequer com capacidade para jogar na seleção brasileira, embora esta seja uma realidade bem mais dura de aceitar.

Outros chiam porque há muitos gaúchos no time, jogadores que Tite conhece desde o berço. Outra bobagem. Giuliano, por exemplo, ficou de fora.

Certo ou errado, Tite elaborou sua lista de acordo com suas convicções e com a serventia de que os jogadores possam ter na maneira de jogar proposta por ele para o time.

Mas a contestação, a discordância, baseada em argumentos concretos e não em besteiras advindas do clubismo e do bairrismo – até porque 19 dos 23 hoje atuam no exterior – é salutar. Mesmo porque Tite é conservador. Evoluiu bastante nos últimos anos, mas ainda não é adepto de mudanças radicais, seja em nome, seja na proposta de jogo, e ainda que seja de maneira emergencial.

Tite parece preparado para conviver com essas divergências, algo que Felipão não aceitava. Só por isso (e nem tanto por isso) já cria perspectivas melhores do que as que se tinha quatro anos atrás.

PS: Particularmente, eu teria convocado Arthur e Luan e não teria chamado Taison e Renato Augusto.