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Mané Garrincha é só a ponta da iceberg

Prisão de dois ex-governadores do Distrito Federal reforça suspeita de corrupção nas obras. E vem mais por aí

Almir Leite

23 Maio 2017 | 15h34

A prisão dos ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz com base na delação premiada de ex-executivos da Andrade Gutierrez dando conta de formação de cartel e pagamento de propina nas obras do Mané Garrincha é só a ponta do iceberg das ilegalidades cometidas sob a sombra  da construção e reforma de estádios para a Copa de 2014.

Um iceberg, diga-se, pra Titanic nenhum colocar defeito.

As arenas, que oficialmente custaram R$ 8,3 bilhões, de acordo com a versão final da Matriz de Responsabilidades (documento do governo federal que detalhou obras relacionadas ao Mundial e seus custos), fizeram a festa de políticos, empresários, aspones e afins, aquela turma acostumada a ganhar no mole – e à custa do dinheiro dos outros.

No caso do Mané Garrincha, os números são superlativos. De acordo com a Polícia Federal e o MP, o  superfaturamento do valor do estádio foi mais do que o dobro do orçamento inicial – pulou de R$ 600 milhões para R$ 1,5 bilhão (R$ 900 mil a mais).  Assim, não é pecado pensar que boa parte desse “a mais” pode ter ido parar no bolso de quem não devia.

Há oito dias, o Estadão publicou matéria sobre o saque de que as arenas da Copa foram vítimas,  por conta da corrupção. Na ocasião, o Mané Garrincha mereceu espaço especial, justamente porque um dos delatores, Clovis Primo, relatou ter feito pagamento de 1% do valor da obra a Arruda e que Agnelo pediu repasses para o PT, sem valores determinados.

Agora, a PF e o MP lançam mais luz sobre os desmandos.

Não vai ficar só no Mané Garrincha. Aliás, o governador Sérgio Cabral, hóspede de Bangu, também tem em sua lista de rolos recebimento de R$ 6,3 milhões referentes à obra no Maracanã, de acordo com outra delação.

Vem muito mais coisa por aí. E não vai demorar.