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No Brasileirão de erros, árbitro de vídeo seria muito bem-vindo

Corinthians, por exemplo, teria gol legal contra o Coritiba validado com o uso da tecnologia. E o primeiro gol do Flamengo contra o Fluminense seria anulado

Almir Leite

19 Junho 2017 | 10h41

É óbvio que o árbitro de vídeo não vai resolver todos os problemas. No entanto, se a CBF tivesse cumprido a promessa inicial, feita no início do segundo semestre de 2016, de implantar o recurso neste Campeonato Brasileiro muitos dos erros que têm acontecido seriam corrigidos e os clubes seriam menos prejudicados.

Tomemos por base a oitava rodada, que está prestes a terminar, e apenas três lances – de três jogos diferentes.

Com o auxílio do árbitro de vídeo, o gol de Jô teria sido validado e o Corinthians muito provavelmente não correria o risco de ser ultrapassado na classificação pelo Grêmio – o jogo com o Coritiba já estava no final e, pelo que acontecia em campo, a vitória paulista dificilmente seria mudada nos minutos que restavam.

Cleiton Xavier estava impedido no lance do terceiro gol do Vitória, gol que na prática acabou com qualquer chance de reação do Vitória.


E Everton estava impedido no lance do primeiro gol do Flamengo no empate por 2 a 2 com o Fluminense.

São três lances difíceis de ser percebidos pelo olho humano (principalmente os dois primeiros), até em função da rapidez dos lances, que o árbitro de vídeo teriam solucionado de maneira correta.

Claro, e repito, que a tecnologia não resolveria todos os problemas. Mesmo porque o árbitro de vídeo é usado nessa fase experimental, e o será de maneira definitiva, em situações específicas. Não seria utilizado, por exemplo, no lance do pênalti cometido por Gustavo Scarpa em Rodnei no Fla-Flu, pois nesse caso poderia ser considerado que a interpretação do árbitro deveria prevalecer.

Mas, também repito, se já estivesse implantado, ajudaria a digamos, fazer mais justiça. Só que a CBF diz não ser fácil sua implementação, pois precisa, entre outros itens, treinar os seres humanos que examinarão as imagens.

Arrisco dizer que esse não é o principal problema. Há uma questão mais complicada, que é a geração das imagens. Tomando por base o Brasileiro, com dez jogos por rodada, essas imagens ou teriam de ser geradas pela CBF ou então acessadas por meio de um convênio com a Globo, que detém os direitos de transmissão.

E tomara que o que retarda a implantação não seja o dinheiro. Ou a necessidade da CBF de gastar dinheiro com isso. De acordo com o próprio chefe da arbitragem da entidade, o coronel Marcos Marinho, seria preciso um investimento de R$ 30 mil por partida, ou seja, R$ 300 mil por rodada e R$ 11,4 milhões em todo o campeonato.

Convenhamos que é uma ninharia para uma entidade que fatura um dinheirão, como mostra cada balanço, e que mantém o no mínimo discutível hábito de dar mesada a presidentes de federações estaduais – que, como se sabe, fazem tudo o que o presidente da CBF quer, inclusive votar nele.

De qualquer maneira, o jeito é esperar 2018 e torcer, e principalmente cobrar, para que a promessa seja cumprida – uma vez que foi a CBF que propôs à Fifa usar o recurso nessa fase experimental.

As experiências estão sendo feitas há algum tempo e, depois de tropeços sérios iniciais, a interferência da tecnologia começa a se mostrar eficiente em termos de acerto nas decisões e no tempo utilizado para que el seja tomada.

A primeira rodada da Copa das Confederações mostrou que o caminho está certo. Só falta a CBF, que tanta fala em modernidade de gestão, fazer logo a sua parte.