As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Punição ao Peñarol mostra que Conmebol não mudou e a omissão da CBF

"Nova'' entidade continua se curvando aos interesses dos mais fortes e como a CBF não vem defendendo o interesse dos clubes de forma firme, estes apanham feio nos bastidores

Almir Leite

19 Maio 2017 | 11h19

A Conmebol decidiu, depois de muita análise e investigação, punir o  Peñarol, causador da briga no jogo com o Palmeiras em Montevidéu, com um jogo em seu estádio sem torcida e multa de US$ 150 mil. Repito, apesar de todos já saberem: o time uruguaio foi o causador da briga no Estádio Centenário.  E o fez de caso pensado, a cilada foi armada, como fica claro o portão trancado para impedir que os jogadores do time brasileiro deixassem o campo.

O Palmeiras, que teve os jogadores encurralados, levou três jogos como visitante sem torcida como pena. Além disso, Felipe Melo, que não é flor que se cheire, mas que em Montevidéu teve de se defender, foi suspenso por seis partidas. E os jogadores uruguaios envolvidos mais diretamente na confusão pegaram cinco.

O prejuízo palmeirense é gritante. Enquanto o Peñarol, já desclassificado, jogará com portões fechados contra o Wilstermann, o Palmeiras, caso vá até até a semifinal, não vai poder contar com seus torcedores em seus jogos fora de casa.

É uma clara inversão de valores, mas que não surpreende. Ao contrário, revela que a “nova” administração da Conmebol, alçada ao poder em consequências dos escândalos de corrupção que varreram toda a antiga cúpula da entidade – varreram alguns para detrás das grades, inclusive – tem modernidade, transparência, justiça e rigor só no discurso. De resto, continua a mesma entidade adepta a proteções – em troca sabe-se lá do quê.


Nesse panorama, também fica claro a falta de prestígio do futebol brasileiro, outro fator que também não surpreende. Não dá para esperar força quando o presidente da CBF, Marco Polo del Nero, sequer se arrisca a pegar um voo para o Paraguai com medo de ser preso se sair do Brasil. Nem dá para acreditar que seus representantes, Fernando Sarney em alguns momentos, Reinaldo Carneiro Bastos,m presidente da Federação Paulista, em outros, vão ter o mesmo peso do que cartolas matreiros de outros países.

O futebol brasileiro está desprotegido. Vai perder todas as divididas.

O Palmeiras está revoltado, prometeu recorrer. Vai fazê-lo, deve gritar bastante, vai tentar fazer estremecer o suntuoso prédio em Luque que hospeda a Conmebol. E deve até obter redução da pena, como cala-boca. Mas que abra bem os olhos, como os demais brasileiros. Até porque, se precisar de ajuda da CBF, vai continuar dançando.