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Rogério Micale, do ouro à rua

Almir Leite

16 Fevereiro 2017 | 16h46

Rogério Micale conviveu com o fracasso e com a recordação do sucesso nos últimos dias. No domingo, dia seguinte ao encerramento da horrorosa participação da seleção brasileira sub-20 no Sul-Americano da categoria, saiu correndo de Quito em direção a Mônaco. Lá, representou a vitoriosa seleção olímpica no Prêmio Laureus – O Brasil concorreu ao Oscar do Esporte como melhor equipe de 2016 pela medalha de ouro conquistada na Olimpíada do Rio.

Micale está voltando ao Brasil com as mãos abanando (o vencedor foi o time de beisebol do Chicago Cubs) e já preparado para encarar a vida de desempregado. Sim, menos de seis meses que viver a glória de levar a seleção brasileira à inédita conquista olímpica, o treinador não conseguiu colocar a equipe sub-20 no Mundial da categoria e isso custará seu cargo. A menos que ocorra um milagre.

Marco Polo Del Nero, o presidente da CBF, é implacável com perdedores. É adepto da tese de que futebol é resultado, e resultado são vitórias, títulos. Nada além disso interessa, não importa nada, nem as circunstâncias.

É verdade que a seleção sub-2o foi mal convocada, mal escalada (prova disso é que em nenhum momento da competição Micale teve um time) e mal treinada. Mas, se tivesse lutado pelo título e, principalmente, garantido  vaga no Mundial, o treinador salvaria seu pescoço. E talvez também o de Erasmo Damiani, seu braço direito.


Como isso não ocorreu, a demissão é o próximo passo, embora Del Nero diga que ainda não sabe exatamente o que fazer.

Mas ele tem disposição de trocar o comando, tem auxiliares que pensam da mesma maneira e, além disso, há um outro fator: Edu Gaspar, o coordenador de seleções, quer ter na base alguém mais afinado com filosofia dele e de Tite.

Micale se reunirá com Del Nero nos próximos dias, talvez ainda nesta sexta-feira, e dificilmente sairá da sala sem o bilhete azul.

A ironia é que, logo após ganhar a medalha de ouro, em agosto passado, Rogério Micale recebeu convite para assumir o comando de alguns clubes brasileiros. Preferiu renovar com a CBF, seduzido pelo projeto de fazer um trabalho de preparação da seleção para a Olimpíada de Tóquio, em 2020.

Mas o bom baiano ao menos sempre teve noção do risco que corria. Questionado sobre se tinha garantia de que ficaria na CBF até os Jogos do Japão, disse que futebol é resultado e que podia ser demitido em caso de algum escorregão em seu trabalho na base.  Rogério Micale nunca foi tão feliz em uma resposta.