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Sentença contra ex-colega causa apreensão nos aliados de Marin

Temor é que Justiça dos Estados Unidos seja bem mais rigorosa com brasileiro do que foi com o guatemalteco Hector Trujillo. E há motivos

Almir Leite

26 Outubro 2017 | 12h03

Oficialmente, pelo menos em um primeiro momento, o resultado do julgamento do guatemalteco Hector Trujillo, vai ser “vendido” como positivo pela defesa de José Maria Marin. Trujillo foi o primeiro dos mais de 40 membros da Fifa envolvidos com corrupção julgado nos Estados Unidos. Vários outros serão julgados nas próximas semanas.

Marin vai enfrentar a corte da rigorosa juíza Pamela Chen a partir de 6 novembro e, como o ex-secretário-geral da federação da Guatemala pegou apenas oito meses de prisão, além de ter de pagar uma multa e devolver parte do dinheiro surrupiado, a sentença dada a ele será encarada em público como um sinal que o ex-presidente da CBF pode ser condenado a pena branda.

Mas a apreensão é grande. Por alguns detalhes: Trujillo confessou seus crimes, declarou-se culpado e seus advogados fizeram acordo com a Justiça dos Estados Unidos pelo qual não recorreriam caso a sentença fosse menor de quatro anos e nove meses de cárcere.

Marin, acusado dos mesmos crimes de fraude e conspiração – receber propina em troca de contratos de marketing e transmissão de competições -, jamais se declarou culpado e sempre se mostrou disposto a enfrentar o julgamento, no qual espera ser inocentado.

A não admissão de Marin faz toda a diferença se comparada com Trujillo. Por isso, o temor é de uma pena bastante pesada.

Os esforços serão para ao menos conseguir que o brasileiro continue cumprir prisão domiciliar em Nova York, evitando, assim, ser trancafiado em uma prisão federal dos EUA. Essa possibilidade se escora no fato de Marin ter mais de 80 anos e saúde já frágil – Trujillo tem apenas 68 anos.

A volta para casa, ou seja, para o Brasil, é considerada possibilidade remota, embora não descartada.

Mas, na definição de pessoa próxima a Marin e que acompanha a luta dos advogados, o sinal é considerado amarelo passando para vermelho.

Detalhe final: não se descarta, e há até quem aposte, que o julgamento de Marin respingue forte em Marco Polo Del Nero.