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Tite precisa tirar Neymar do time

Treinador precisa ver como a seleção se comporta sem sua estrela maior, apesar do pouco tempo até a Copa

Almir Leite

05 Setembro 2017 | 10h17

Tite fez quatro alterações na seleção brasileira que enfrenta as Colômbia nesta terça-feira pelas Eliminatórias. Duas por obrigação, visto de Marcelo está suspenso e Miranda sem condições de jogo após a pancada recebida na cabeça contra o Equador, e duas para testes. Quer ver como a seleção se sai com Fernandinho no lugar de Casemiro e principalmente com Roberto Firmino no de Gabriel Jesus.

Dessa maneira, faz também alguns experimentos táticos, e é sempre bom ter variações na maneira de jogar. Apesar do pouco tempo para entrosar a seleção, situação que o levou a optar por reduzir o máximo possível experiências como novos jogadores, ter opções de mudanças táticas pode ser, mais do que importante, fundamental numa Copa do Mundo.

Nas últimas, Dunga e Felipão não tinham e deu no que deu.

Tite não deve cometer esse mesmo erro dos antecessores nem outro que trouxe grande prejuízo à seleção: não saber jogar sem Neymar.


É fato que a seleção de Tite não tem a Neymardependência que tinham as de Dunga e Felipão. Hoje, o craque do Time joga mais solto, mas ocupando a faixa em que mais se sente bem, e, sobretudo, não tem nas costas o peso de carregar a seleção.

Mesmo porque, quando a teve, foi bem ruim.  Apesar de ter decidido várias partidas, mostrou-se irritadiço demais, individualista em excesso, mas inútil do que útil.

Claro, a culpa maior não foi dele e sim de treinadores que, incapazes de montar uma equipe consistente, jogaram toda a responsabilidade nas costas do craque.

Naquele contexto, quando a seleção não pôde contar com Neymar foi um desastre – como se constatou na Copa de 2014 e nas Copas América de 2015 e do ano passado.

É esse risco que  Tite não pode correr na Copa do Mundo da Rússia. Ele precisa fazer  a equipe jogar sem Neymar. Sem depender do craque. Manter nível alto e confiança sem ele.

As chances são poucas. A rigor, apenas nas duas últimas rodadas das Eliminatórias, em outubro contra Bolívia e Chile, pois Neymar estará presente nos amistosos na Europa em novembro e no contra a Alemanha em março de 2018. Depois disso, é Copa.

Mas, ainda assim, seria prudente se Tite dispensasse os serviços de Neymar em outubro. Aliás, as próprias circunstâncias podem ajudar o treinador. O atacante tem um cartão amarelo e, se levar outro esta tarde contra a Colômbia, estará suspenso do jogo na Bolívia. Aí, será só Tite não chamá-lo para o jogo com o Chile e a equipe dele finalmente poderá ter a experiência de disputar jogos oficiais sem sua estrela maior.

NUZMAN NA MIRA

Demorou, mas finalmente a polícia chegou na casa de Carlos Arthur Nuzman. O dono do COB e da Olimpíada do Rio vai ter de explicar essa história, cada vez mais cabeluda, de que o Brasil comprou a indicação para 2016. O fato de ele ter sido levado a depor não significa, necessariamente, culpa no cartório. Mas é sempre bom que alguém, ou uma operação como a da Lava Jato, o tire da zona de conforto em que ele viveu por décadas e décadas.