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Vem aí a guerra da Copa América

Almir Leite

29 Março 2015 | 13h28

A rigor, o jogo com o freguês Chile de nada serviu, considerando-se apenas o que aconteceu em campo, para as observações finais de Dunga visando a fechar o grupo de jogadores para a Copa América. O amistoso foi uma porcaria, com muitos passes errados, faltas demais (sobretudo da seleção brasileira), poucas jogadas ofensivas e muita violência – os jornalistas normalmente ficam cheios de dedos para abordar o tema, mas o fato é que os chilenos, mais do que violentos, são desleais, sujos até. E não é de hoje, como bem sabem aqueles que têm conhecimento da farsa protagonizada por Rojas e cia. em 1989 no Maracanã.

O amistoso de Londres, há algum tempo a primeira casa da seleção brasileira, por si só foi inútil para definições porque os jogadores que realmente seriam testados pouco puderam apresentar, até por conta das circunstâncias da partida. Foram os casos de Souza, Fernandinho, Douglas Costa, Phillipe Coutinho, Luiz Adriano e Robinho.

Deles, porém, pelo menos Fernandinho deve ir à Copa América. E este blogueiro acredita que Robinho também irá.

Os demais não estavam sob análise. Roberto Firmino havia assegurado uma poltrona do avião que vai ao Chile no amistoso contra a França e, mesmo com as ressalvas que tem, Dunga sabe que não é prudente deixar fora de uma competição oficial neste momento um zagueiro como Thiago Silva (claudicante no primeiro tempo contra os chilenos) e mesmo um lateral-esquerdo como Marcelo, que joga futebol discreto sempre que tem de ficar mais preso à defesa.

A Copa América, aliás, vai ser uma guerra. O Chile, nos últimos anos exaltado por ter boa seleção – e tem, tanto que na Copa de 2014 jogou bom futebol e merecia ter vencido o Brasil bem antes da disputa por pênaltis que acabou perdendo -, é time violento, desleal e perdedor. Nunca ganhou  nada na vida e vai fazer o diabo para ser campeão da Copa América que hospedará.

A pressão vai ser imensa, em cima de qualquer adversário, mas os chilenos com certeza vão tentar travar um guerra particular com o Brasil. Pela rivalidade forte das últimas décadas, mesmo nos períodos em que eram apenas saco de nossas pancadas, agravada pela violência do jogo da Copa, que ultrapassou o campo e terminou em socos e pontapés a caminho dos vestiários do Mineirão (pode parecer implicância, mas nisso também Felipão teve grande parte da culpa, porque o clima quente foi criado por ele ao bolar aquela história de que havia complô contra seleção. História que criou para tentar esconder o mau futebol que o time estava jogando, mas que só serviu para acirrar os ânimos dos adversários do Brasil).

A consequência é que, no Chile, o Brasil terá de estar preparado para, além de jogar um bom futebol na busca do resgate do prestígio abalado pelos 7 a 1, suportar todo tipo de pressão. Dentro e fora de campo, pois até nos hotéis e nos treinos, o clima poderá ser hostil aos brasileiros, apesar de segurança para as delegações não faltar neste tipo de competição.

Mas isso, a pressão,  pode até ser bom, mesmo que o título não venha. Se na Copa América a seleção se mostrar um time cascudo, abrirá boas perspectivas para as Eliminatórias, que com certeza serão as mais complicadas da história. E ficar fora da Copa da Rússia não passa pela cabeça de ninguém.