A falta do profeta Hernanes

Antero Greco

05 Janeiro 2018 | 19h57

Amigo são-paulino, 2018 mal começou e já há notícia de baixa no elenco. Péssima, por sinal. Pela forma como falou hoje, Hernanes está com a bagagem pronta para voltar para a China.

O clube que o mantém sob contrato exigiu retorno imediato, de preferência no domingo. Diz que não tem papo, pois está nos planos do técnico Manuel Pellegrino. Fim de aventura por aqui.

Uma pena, pois Hernanes foi a pedra fundamental para a reação do São Paulo no Brasileiro. Sem exagero, dá para afirmar que a chegada dele evitou a humilhação de rebaixamento inédito. Não só pelos gols que fez, mas pela postura em campo e fora. O “profeta” foi decisivo para ajudar Dorival Júnior na construção de ambiente favorável.

O São Paulo sabia do risco que corria ao repatriar Hernanes. Os chineses aceitaram cedê-lo por seis meses, com a cláusula de tê-lo de volta em janeiro, se fosse necessário. E exerceu esse direito. Parece improvável que abram mão, mesmo com a promessa de Hernanes de fazer tentativa no contato direto.

O episódio revela pela enésima vez a condição subalterna que os times brasileiros têm hoje em dia no mercado internacional. São grandes fornecedores de mão de obra super-qualificada e ganham dinheiro com venda de jogadores.

Na verdade, mesmo que queiram, não conseguem segurar os principais talentos por muito tempo. Se aparecer proposta razoável – e às vezes nem isso -, cedem, por pressão de atletas, de assessores e do caixa doméstico constantemente baixo.

No máximo, se contentam em contar com o retorno de alguns por breves períodos de “reciclagem”. Lembram das idas e vindas de Romário? E dos regressos de Robinho para o Santos? Ou de Kaká no Morumbi dois anos atrás? São inúmeros os casos. Em geral, os moços passam um tempinho por aqui, recuperam ritmo e confiança, para baterem asas novamente.

Hernanes deixará saudade – e, mais do que isso, preocupação. Para quem deseja montar elenco forte para a temporada, não poderia haver baque maior.

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