A opção de Roger

Antero Greco

08 Agosto 2017 | 16h22

Roger Machado surgiu como opção do Flamengo para substituir Zé Ricardo e recusou. A atitude do ex-técnico de Grêmio e de Atlético-MG surpreendeu muita gente e mereceu críticas. Soou como esnobada a um dos clubes mais importantes do Brasil.

Não vejo dessa maneira. Não tomo como desfeita a opção pelo descanso. Roger, em princípio, me pareceu coerente com o que havia declarado tão logo saiu do Galo, a lembrar: passaria o restante do ano recolhido, em silêncio, apenas a observar. Estudaria eventuais propostas só a partir do encerramento do Brasileiro.

Há quem diga que perdeu excelente ocasião de aparecer numa vitrine de luxo, e que a oportunidade pode não aparecer mais. Concordo com a primeira parte da afirmação. Óbvio que o Fla é sonho de consumo da maioria dos “professores” da bola. Provavelmente, não seja diferente com Roger.

Mas, na dinâmica da vida e do futebol, impossível afirmar que “nunca mais” será lembrado. Bobagem. Tudo dependerá do desenvolvimento da carreira de Roger. Se se tornar um dos profissionais de ponta – e torço por isso -, certamente será disputado no mercado. Inclua-se aí novas passagens por Grêmio e Atlético-MG. Aconteceu com tantos outros já…


Além da vontade de dar um tempo, talvez tenha pesado no “Não” de Roger ao Flamengo as circunstâncias atuais – dele e do clube. A expectativa, a apreensão, a cobrança na Gávea são grandes. O ambiente não é dos mais serenos. E, mesmo com um bom elenco, o time não se acertou.

Imagine se algo sair errado – o que não se deve descartar -, com Roger no comando. Haverá cobranças, desgaste e, quem sabe?, não chega ao fim do ano ou, se chegar, não renova. Teria entrado em barca furada e marcaria a carreira de forma negativa.

Mais sensato, sem dúvida, ficar à margem por uns meses e iniciar trabalho novo, com projeto do qual possa participar, e não pegar um barco à deriva. Não se pode condená-lo por ser prudente. Há muitos técnicos que topam qualquer parada, em troca de dinheiro – que costuma ser tentador nessas horas – e ficam com a fama de tapa-buracos.

Roger, pelo visto, não deseja isso para a própria carreira. E, se assim for, age corretamente.

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