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A última do português

Antero Greco

29 fevereiro 2016 | 20:09

Será que teve outro show igual a este de domingo no estádio  do Palmeiras?

Com tal dúvida, Gustavo Luiz amanheceu nesta segunda-feira em Araraquara. Gustavo é monitor do Museu da Ferroviária e chegou ao trabalho orgulhoso, olhando para as figuras que estavam nas fotos na parede.

Imagens de craques da bola como Dudu e Bazzani. Foto do artilheiro Téia. Fotos dos pontas Peixinho e Faustino; do velho Cardoso. De Fogueira, de Tales e até da comediante francesa Jacqueline Mirna, que ganhou fama na década de 60 porque falava “Arra-rrra-qua-rrra” nos programas humorísticos da TV Record.

Olhava para as fotos e pensava: “Será que algum dos históricos times da Ferroviária já tinha dado um baile tão grande numa das equipes da capital paulista dentro de São Paulo?”.

O monitor Gustavo é especialista na história dos “afeanos” e não encontrou nada igual nos seus arquivos: “Sessenta por cento de posse de bola!”, entusiasmou-se.

Domínio total, sem chutões para a frente, com goleiro que sabe jogar, com barreira inimiga cheia de grenás. O goleiro ainda fez lançamento um minuto antes do encerramento e pegou os palmeirenses desprevenidos.

E o técnico português? O tal de Sérgio Agostinho de Oliveira Vieira, que jogou até os 21 anos, estudou, fez os cursos da Uefa, trabalhou na base do Atlético Paranaense e chegou a Araraquara em novembro? Gustavo faz breve resumo do estilo Vieira: 1 – trata todo mundo com educação; 2 – não gosta de badalação; 3 – é detalhista. Dia em que tem poda no gramado, vai conferir se ficou do jeito que pediu; 4 – gosta de treinar com a grama molhada para dar mais velocidade ao jogo; 5 – é ambicioso profissionalmente e vende a ideia a seus jogadores; 6 – como é bom de oratória, convence o time de que sempre é possível melhorar; 7 – todos os treinos da Ferroviária são fechados à imprensa após 20 minutos.

A torcida local adora o português.

A Ferroviária tem oito jogadores do Atlético Paranaense, 3 do Atlético Mineiro, 2 do Fluminense. E tem, principalmente, um esquema de jogo definido.

Por isso faz campanha invejável no Paulista e por pouco não bateu também o Corinthians, que achou um gol no finalzinho.

O time do português não joga monitorado por equipamento eletrônico, para saber quem correu mais, nem tem um garimpador de talentos, tampouco contratou três dúzias de jogadores> Muito menos possui folha de pagamento astronômica como a do Palmeiras.

Mas a outra pergunta que Gustavo se fazia, já no fim da tarde, ao sair do museu: “E a Ferroviária precisa?”

(Com reportagem de Roberto Salim.)

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