A culpa de Levir

Antero Greco

29 Outubro 2017 | 12h47

Descer a ripa em cartola é esporte de preferência nacional. Em grande parte das vezes, merecem; eles fazem muita lambança. Vez ou outra acertam, oras, porque ninguém é de ferro.

Modesto Roma, do Santos, não foge à regra.

Desta vez, porém, tendo a não discordar dele, na “segunda” demissão de Levir Culpi em menos de dez dias – agora pra valer. A decisão irrevogável foi tomada no sábado, depois da derrota por 2 a 1 para o São Paulo. Elano, como era previsto, assume interinamente até o final do Brasileiro.

Na verdade, Modesto errou de novo. Porque deveria ter mantido a dispensa de Levir na outra semana. Havia voltado atrás a pedido dos jogadores, então fechados com o “professor”. Dera um voto de confiança ao chefe da equipe e ao elenco.

Levir, no entanto, chegara ao limite. O Santos empacou de uns tempos para cá. Embora tenha 53 pontos e teoricamente continua na briga pelo título, o futebol que mostra está longe de empolgar. Ah, os números com o treinador não são ruins: 14 vitórias, 12 empates, 5 derrotas.

Desculpem-me os que acham essa estatística satisfatória, mas não é. Por quê? Porque há excessivo número de empates. E está mais do que provado de que empate não leva a lugar nenhum. No máximo, serve para curiosidades do gênero “Time tal está há tantos jogos sem perder”…

O Santos não sai do lugar, mesmo com a ressalva de que “está na zona de Libertadores” etc e tal. Também não vale alegar que “Levir foi longe demais com esse elenco”. O grupo de atletas não é de primeiríssima grandeza – e, como demonstra o campeonato, ninguém tem uma tropa fora de série. Está o líder Corinthians para comprovar.

O Santos não é de agora que se comporta de forma indolente. Vive mais de lampejos individuais do que de estratégia bem definida. Depende da inspiração de Lucas Lima (que anda em baixa), da instabilidade de Bruno Henrique, do oportunismo de Ricardo Oliveira, dos milagres de Vanderlei no gol.

A oscilação tem sido enorme, e não há como aliviar para Levir; ele tem culpa, com perdão do (quase) trocadilho involuntário.

Para quem gosta de cifras: não é por acaso que deixou para trás a imagem de “equipe ofensiva”. Com 33 gols a favor, é o 15.º ataque da Série A. O fato de a defesa ser a segunda menos vazada (22 gols) ameniza, mas não tranquiliza. Para ser campeão precisa, também, fazer gols, de preferência muitos.

Levir merece descanso. E Elano necessitará de sorte para mostrar competência na emergência.