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Antero Greco

30 Janeiro 2016 | 01h41

Os amigos que me acompanham neste espaço, no jornal e na tevê sabem que não costumo dar lições de moral pra jogador de malas prontas pro exterior. A escolha pelo local de trabalho é individual; cada um trilhas os caminhos que julga mais interessantes.

Por isso, de certa forma fui contra a maré ao não descer a lenha na turma que debandou para a China. Se o dinheiro atraiu, ok. Fazer o quê? Eu sei de minhas contas e limitações, assim como você. Da mesma forma, os boleiros. E que todos sejamos felizes.

Abro, porém, uma exceção, para falar de Malcom. Vou no embalo de Tite, que fez apelo para que o pessoal que administra a carreira do moço não leve adiante a ideia de transferi-lo agora para o Bordeaux. O técnico alega que não chegou a hora de bater asas e aventurar-se. Sugere que amadureça mais, cresça e, então, siga o destino de tantos outros.

Concordo com Tite. Não vejo mesquinharia nem egoísmo no discurso dele. Malcom tem 18 anos, mal começou a carreira profissional, tem muita estrada a percorrer. Evoluiu no time campeão brasileiro, mostrou valor. Não deveria ter pressa para saltos maiores. Tem Libertadores logo mais, tem Brasileiro, tem espaço para firmar-se.

A precipitação, o entusiasmo – e a ganância, por que não? – já truncaram muitas carreiras promissoras. O futebol está cheio de exemplos de moços que pintaram como craques e, sem sequer terem “explodido” nos times de origem, foram negociados com estrangeiros. Passada a euforia inicial, caiu a ficha, veio o ostracismo e a falta de rumo.

Tomara isso não aconteça com Malcom – como escrevi acima, que todos sejam felizes. Mas para que esse desespero de colocá-lo no mercado internacional?

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