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Esportes » Ainda a saída de Marcelo no Palmeiras

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Antero Greco

16 Março 2016 | 17h50

Escrevi aqui ontem – e em minha coluna no Estadão – a respeito da demissão de Marcelo Oliveira. Considerei intempestiva a atitude do Palmeiras. Além disso, vi na dispensa reação idêntica à de qualquer clube em momentos de pressão. Tira-se o técnico e vida que segue.

Também aqui e no jornal critiquei a explicação que Alexandre Mattos deu para a troca de comando, em entrevista concedida ao SporTV.  Na televisão, o dirigente revelou que, dentro do planejamento do clube, estava prevista a saída do técnico campeão da Copa do Brasil. Observei que, se era para mexer, que isso ocorresse logo e não se esperasse até março, com a perda de tempo e os riscos que tal comportamento acarreta.

Para tirar a limpo a história, nada melhor do que ouvir o próprio Mattos. Numa conversa polida, gentil, o responsável pelo futebol palmeirense esclareceu o ponto central da questão: a demissão do técnico era uma das possibilidades, um dos cenários imaginados pela direção, desde que o trabalho em 2016 fosse insatisfatório.

Principais trechos do que disse Mattos.

“Talvez não tenha ficado claro na entrevista, mas ao afirmar que estava planejada a saída de Marcelo pretendia dizer que essa era uma situação prevista. Não a única, mas uma delas. Numa empresa, precisamos trabalhar com diversos panoramas. Dentre eles, estava a mudança na Comissão Técnica, desde que entendêssemos que fosse necessária. Outro panorama era não mexer em nada, se o rendimento fosse compatível com o que esperávamos.”

“Não houve mexida na base da impulsividade. Seria assim se tivéssemos tirado o Marcelo logo após a conquista da Copa do Brasil. Ele é meu amigo de muito tempo e tivemos jogo aberto. Disse-lhe, ainda na alegria pelo título, que precisávamos jogar melhor, que o time não vinha rendendo o que se esperava. Precisávamos evoluir.”

“Em vez de dispensar o técnico, que é o que a maioria dos clubes faz, mudamos jogadores. Eles é que pagaram o pato e não o técnico. Vários saíram ao final da temporada e diversos chegaram em seguida. Com gente nova, com pedidos de Marcelo, combinamos que ele teria tempo para mexer no time, para avaliar. E nós também faríamos nossa avaliação. Em nenhum momento, estava decidido que ele sairia. Sairia se o trabalho não rendesse.”

“Depois de vários jogos neste ano, a evolução não veio. Daí, optamos por alterar o rumo. Ou seja, agimos de acordo com uma das hipóteses criadas no fim do ano. Jamais queimaria o Marcelo, com quem trabalhei no Cruzeiro e com o qual ganhamos muito. A ruptura foi amigável.”

“Cuca chegou sabendo o que esperamos dele. Não terá o time ideal nesta quinta, contra o Nacional, mas já mudou algumas peças, porque sabe que isso era necessário. Tenho certeza de que, se o Palmeiras passar de turno, será um concorrente muito forte na sequência da Libertadores. E também tenho muita fé no Campeonato Brasileiro.”

É isso.

 

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