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Esportes » Beijo no distintivo e hipocrisia no futebol

Futebol

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Antero Greco

12 Fevereiro 2016 | 22h03

Os torcedores do Santos podem ficar bravos, mas o Robinho pelo menos foi sincero. Chegou em Belo Horizonte e foi logo declarando: “Futebol é negócio”. Pronto: explicou por que não acertou com a equipe paulista e topou a empreitada no Atlético Mineiro.

Money, tutu, grana!

O torcedor se ilude, sofre, xinga, briga, toma chuva. Acha que todo mundo que está no futebol age com emoção, por amor. Acredita em jogador que beija o distintivo da camisa, que comemora gol em cima do emblema do clube.

Só show, “farol”, como se dizia na várzea do Bom Retiro

E Robinho desmanchou a ilusão alvinegra. Jogou três vezes no time do Rei do Futebol? Ganhou títulos? Deu pedaladas? Ok, bonito, palmas pra ele. Mas tudo é passado. Negócios do passado. Agora o Galo paga mais, tem proposta de marketing melhor e uma empresa por trás. Então, boa noite para a paixão antiga.

Claro que tudo na vida tem o outro lado. O ídolo de ouro tem seus pés e chuteiras transformados em barro. De imortal vira traidor sem escrúpulos e deixa de freqüentar o muro sagrado onde os ídolos foram eternizados no CT do Santos. Saiu e voltou. A torcida alvinegra ficou ferida.

Talvez um dia a raiva passe, mas na ficha de Robinho estará que ele traiu quem o tratou como deus da bola. Sim, porque a torcida não tem meio-termo.

O futebol – não o dos negociantes, dirigentes, empresários, procuradores, apostadores e até alguns jogadores também – ainda é paixão. Se fosse só negócio, não teria resistido tanto tempo como o esporte do planeta, que interrompe guerras, junta povos inimigos, ilude pais e filhos que se deslocam pelas arquibancadas.

Se fosse só negócio, ninguém ia trazer  Robinho de volta pelo que está jogando. A torcida do Santos não ia querê-lo pelo que não jogou na China na temporada passada.

De mais a mais, seria muito melhor ter segurado Geuvânio do que tentar ter Robinho de volta.

Ao mesmo tempo, nessa contradição toda, quem pode atirar a primeira pedra no jogador pela escolha que fez?

(Com colaboração de Roberto Salim.)

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