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Carta para o Dorival

Antero Greco

20 fevereiro 2016 | 13:43

Crônica do jornalista Roberto Salim.

“PARA DORIVAL JÚNIOR,

TÉCNICO DE FUTEBOL

Bom dia Dorival, como tem passado?

Espero que esta semana que antecedeu ao clássico tenha sido produtiva, apesar da desfeita que a diretoria santista fez a você. Trazer um atacante argentino, que não foi sua indicação, é uma agressão estúpida, principalmente a pessoas com a sua história e sua conduta moral.

Sim, porque para nós jornalistas de uma certa época, você é uma espécie em extinção: competente, trabalhador e honesto até o último fio dos cabelos – que já estão rareando, hein amigo!

Desde o início de sua carreira como jogador foi assim. Descendente de uma linhagem que traz Dudu na vitrine, você foi também exemplo dentro de campo.

Como técnico nunca se deixou trair.

Lembro do dia em que enfrentou o menino Neymar, quando qualquer outro passaria a mão em sua cabeça. Tirou o outro menino Paulo Henrique de campo e enfrentou sua ira.

Suou até o fim com o Palmeiras, há dois anos, e o livrou do rebaixamento, lançou seis meninos da base e no ano seguinte foi mandado embora, abrindo caminho para a contratação de não sei quantos jogadores – que você com certeza tinha dentro do próprio clube.

Mas isso seria economia, seria inteligência, seria trabalho. Há tempos que o futebol é um grande negócio. Para você é emoção e trabalho. Paixão.

Por isso, o mais certo seria sua saída de Vila Belmiro com a contratação do jovem Maxi Rolon, que você não indicou.

Mas talvez seja isso que a máfia do futebol queira: eliminar gente como você dos campos, para poder agir mais livremente.

Então, o meu conselho a você é este: resista e siga em frente até onde der, porque os inimigos são muitos e nunca vamos deixá-los à vontade.

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