Censura ataca Luxa

Antero Greco

25 Março 2015 | 19h59

O Brasil bota a boca no trombone como poucas vezes nas últimas décadas. Com razão ou sem, as pessoas protestam, defendem pontos de vista, trocam ideias. Enfim, exercem o direito da cidadania, garantido em qualquer país democrata. Algo valioso, que jamais deve ser perdido outra vez.

No entanto, o tribunal esportivo da Federação de Futebol do Rio de Janeiro vai contra a tendência e apela para a censura. E não só: pune preventivamente e ainda ameaça com suspensão pesada quem fez críticas à entidade.

O atingido da vez é Vanderlei Luxemburgo. O crime do técnico foi o de ter lamentado tópico do regulamento do Campeonato Carioca que limita o número de jovens inscritos na competição. Com isso, o Flamengo sofrerá as consequências de ter o elenco reduzido, em um momento importante na briga por classificação.

Dentre outras coisas, Luxa disse que a Ferj teria de levar “porrada” por essa postura que prejudica os clubes. Os responsáveis pelo tribunal consideraram ofensivo o termo e perigoso, porque incita à violência. Por isso, o treinador já pegou dois jogos de gancho e, no julgamento, pode ficar suspenso por um ano, desde que condenado. Ele obteve efeito suspensivo, o que não elimina o processo.

Enxergar incentivo à violência, no termo usado por Luxa, é exagero. Na linguagem usual, “porrada” é sinônimo de crítica, é o mesmo que dizer “descer o sarrafo”, “descer a lenha” e assim por diante. Vá lá que hoje em dia as pessoas têm dificuldade para entender figuras de linguagem. Mas a esse ponto…

Fica evidente que a intenção é a de podar qualquer reação contra o torneio. Mesmo que venha de treinadores e de jogadores, os que realmente fazem o espetáculo e deveriam ser ouvidos.

É longo, ainda, o caminho a percorrer para acabar com autoritarismo por aqui…