Corinthians abala a confiança do São Paulo

Antero Greco

08 Março 2015 | 20h02

Perder clássicos não é nada fora do comum. Isso acontece a todo momento, assim como em outros há vitórias. O problema no caso do São Paulo com o Corinthians é a repetição, além do momento. Nos últimos tempos, a turma tricolor tem sido vítima constante do rival alvinegro. Agora, com uma agravante: ambos brigam por vaga no mesmo grupo da Libertadores.

O São Paulo parece que trava no Majestoso, independentemente do mérito do Corinthians. Que, aliás, se aperfeiçoa na arte de amarrar o jogo. Nos duelos recentes, ninguém se salva, não encaixa jogadas, não acerta passes, não incomoda a defesa. Até perde pênalti, como aconteceu com Rogério Ceni na tarde deste domingo,  no Morumbi. Esteve nos pés do goleiro artilheiro a chance do empate, que morreu no joelho de Cássio e no travessão.

Parece que bate desespero em Muricy Ramalho e pupilos. Não há estratégia que funcione, não aparece um jogador para assumir a responsabilidade e pegar o touro à unha. Com exceção de Centurión, o resto decepcionou. O argentino correu, foi valente, se apresentou para o jogo, até numa forma de tirar de si a desconfiança a respeito de adaptação ao Brasil e ao time.

O Corinthians, ao contrário, tem gente que cresce nos momentos agudos. O caso mais emblemático é o de Danilo, aquele que um dia saiu do São Paulo porque acharam que já tinha dado o que podia. Ele fez o gol da vitória, ajustou o meio e só saiu depois da expulsão de Gil, no lance do pênalti (pra mim, exagero do árbitro, aliás muito confuso). Outro que merece destaque é Cássio, há muito uma das referências da equipe. Felipe jogou bem, enquanto os demais não comprometeram. Trata-se de um conjunto linear e equilibrado.

O Corinthians sabe o que quer, executa bem as propostas estabelecidas por Tite, mesmo que seja muquirana no jogo bonito. Não se pode contestar que seja eficiente e maduro. O São Paulo oscila e bota medo no torcedor – não no Paulista, que esse a classificação é fichinha. O problema está na Libertadores. Será que conseguirá passar? Depende apenas dele, e de jogar bom futebol.

Em tempo: nem 20 mil o público no Morumbi. Ridículo, sinal de que o torcedor tem medo de violência e do preço alto.