Corinthians tem vitória de quem vai longe

Antero Greco

05 Março 2015 | 00h27

Meu amigo, no começo do jogo com o San Lorenzo, bateu a sensação de que o Corinthians voltaria chamuscado da incursão à Argentina. O atual campeão da Libertadores foi pra cima, teve ao menos duas chances preciosas para abrir o marcador e assustou. Ficou na impressão. No fim das contas, a turma de Tite recorreu ao esquema de enrolar o adversário, fez 1 a 0 (belo gol de Elias), disparou na liderança do Grupo e deu passo enorme para avançar para a segunda fase da competição.

O Corinthians que entrou em campo no vazio estádio Nuevo Gasometro teve várias mudanças em relação àquele que Tite considera ideal e demorou um pouco para se ajustar. Sobretudo no sistema defensivo. E nessa brecha o San Lorenzo tentou chegar à vantagem. Apertou, com trocas de passes rápidas pelos dois lados, além de forçar o erro corintiano com marcação em cima.

Mesmo com os argentinos melhores, o Corinthians não abriu mão do estilo de atuar, no que isso tem de bom  e de ruim. Para complicar, perdeu Renato Augusto, atingido no tornozelo numa dividida. Cristian entrou no lugar dele para ajudar na marcação, e de tabela liberou Elias. E não é que deu certo? O meia mais uma vez apareceu para resolver, o que tem sido recorrente neste início de temporada.

Depois, o Corinthians deixou para o San Lorenzo a responsabilidade de abalar-se para o ataque. Trancou-se, como de costume, desdobrou-se, farejou algum contragolpe e esperou o tempo passar. A estratégia saiu-se melhor até do que inicialmente se previa. O empate era bem-vindo; a vitória foi extraordinária, sobretudo porque não fez uma apresentação soberba como no clássico com o São Paulo. Ao contrário, em certos períodos sofreu com o domínio do time da casa. Mas se valeu da eficiência – e esse detalhe pesa na Libertadores.

Falta muito estrada, mas o Corinthians demonstra o espírito atrevido da campanha vitoriosa de 2012. E conta com uma dose de sorte, que nunca faz mal. Vai dar muito trabalho aos rivais.