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Dedé, o sofrimento de um zagueiro

Antero Greco

02 março 2016 | 12:05

Quando Dedé começou a aparecer no Vasco, houve consenso: lá estava o novo zagueiro da seleção. Jogava sério, quando preciso; fazia graça, quando dava.

Era um Luiz Pereira dos tempos modernos, sabia defender, sabia desarmar, sabia atacar e tinha intimidade com a bola.

Mas jogador de futebol também precisa de sorte. E esta tem faltado para Dedé.

O destino é rigoroso. Para quem calça chuteira e põe uniforme de time grande, as contusões e os sustos são uma ameaça constante.

Quem lembra de Carlos Alberto Borges? O moço apareceu no Parque Antártica jogando o fino da bola, muito tempo atrás. Um dia um raio caiu no Centro de Treinamento do Palmeiras durante um coletivo e nunca mais o meia repetiu as grandes jogadas.

Zé Sérgio era um ponta promissor, brilhou na Copa de Ouro no Uruguai, no início dos anos 80, e era nome certo na seleção de Telê Santana que iria à Espanha. O estilo veloz, cheio de dribles, começou a ficar escasso, até que um exame positivo de doping (depois revisto) reduziu o jogo vistoso e encantador a um camisa 11 normal.

A gangorra do gramado fabrica ídolos com a mesma velocidade com que os engole.

E, quando as contusões se tornam rotineiras, o jogador precisa de muita força de vontade para reagir.

O massagista Mário Américo, que participou de inúmeras Copas do Mundo, contava sempre que era uma espécie de psicólogo dos craques campeões. Passava horas a fio fazendo compressas, aplicando toalhas, recuperando Pelé & Cia Ltda. Com isso, virava confidente, psicólogo, amigo e esperança final de jovens que só queriam jogar futebol.

O zagueiro Dedé, agora no Cruzeiro, precisa de gente como o velho Mário Américo a seu lado. Depois de ser submetido a uma cirurgia no joelho direito em 2015, voltou a jogar neste ano. Infelizmente sofreu nova lesão. Na mesma perna. Deve ficar mais dois meses em recuperação.

Na vida como nos campos ninguém sabe o futuro.

E Dedé está aprendendo isso do jeito mais dolorido.

(Com Roberto Salim.)

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