Diego Costa: gol, alegria e expulsão

Antero Greco

07 Janeiro 2018 | 00h17

Diego Costa é atacante à moda antiga, do tipo hoje em extinção: valente, provocador, exagerado, goleador. Com ele não tem meio-termo, é radical e não se incomoda com isso. Não por acaso já se envolveu num monte de confusões e foi até dispensado por mensagem em celular, como aconteceu com o Chelsea, do técnico Antonio Conte.

Mas há ocasiões em que a intolerância ronda as atitudes de Diego Costa. Foi o que aconteceu neste sábado, no primeiro contato com a torcida do Atlético, desde o retorno a Madri.

O sergipano naturalizado espanhol fez gol nos 2 a 0 contra o Getafe e foi comemorar com o povo. Literalmente foi para os braços da galera, ao subir os degraus que ligam o gramado às arquibancadas no novo estádio do time.

Cena bacana, diferente, espontânea, que se via tanto em outros tempos, quando jogador trepava no alambrado e vibrava com os fãs. Só que agora isso não é de bom-tom, não pega bem, está vetado pelos códigos dos senhores que cuidam das boas maneiras dos boleiros.


Pois bem, o que fez então sua senhoria Munuera Montero? Mostrou o cartão amarelo para Diego Costa, aos 28 minutos do segundo tempo. Como ele havia recebido outro, seis minutos antes, veio o vermelho. O assoprador tirou os dois cartões com gosto, para ostentar autoridade. O rapaz ficou com cara de tacho e foi embora.

Ok, alguém pode dizer que a advertência está prevista nos regulamentos e outros quetais. Mas é estúpida, autoritária, broxante, negação da alegria contida no gol. O auge de uma partida, a jogada que todos esperam, é mantida em camisa de força sem sentido.

E os árbitros seguem esse estrupício ao pé da letra, sem levar em consideração atenuantes, circunstâncias do jogo, clima. Diego Costa estava de regresso para um clube onde é querido, fez um gol, festejou com o público. Sem desrespeitar ninguém, sem provocação, sem retardar o reinício do jogo (e, se atrasasse, que se acrescentasse no final). Enfim, não fez nada de anormal.

O prêmio? O cartão vermelho. Ou seja, foi punido como se tivesse dado um pontapé, uma cotovelada, uma cusparada em um adversário. Aliás, ele mesmo em muitas ocasiões apelou para a ignorância e só levou amarelo – como acontece com frequência com qualquer jogador. E ficou até o encerramento da partida.

Está na hora de acabar com essa castração, a antítese do que significa um jogo de bola. Deixem a moçada comemorar em paz, desde que não haja desrespeito contra ninguém.

Como tem juiz estraga-prazer!