E o sofrimento do SP continua…

Antero Greco

06 Agosto 2017 | 18h36

Imagino o que sente o torcedor do São Paulo ao ver seu time em ação. Mistura de raiva, susto, impaciência, inconformismo, suavizada de vez em quando com pitada de esperança. Como na virada sensacional sobre o Botafogo, oito dias atrás, ao sair de 3 a 1 para 4 a 3.

Mas episódios como aquele no Rio têm sido esporádicos. A rotina, no primeiro turno do Brasileiro, se caracterizou por apresentações instáveis, sofrimento e derrotas. Muitas derrotas, dez em 19 rodadas. Campanha de time de zona de rebaixamento.

Não por acaso está em 17.º lugar, com 19 pontos. A pá de cal, no encerramento da primeira parte da Série A, veio neste domingo, com os 2 a 1 para o Bahia. Duelo entre equipes que tentam fugir do fundo da tabela; portanto, com o perdão do lugar-comum, jogo de seis pontos. Confronto que não se pode perder, sob risco de afundar.

E o São Paulo não teve forças para, ao menos, roubar um ponto. Ok, até poderia reclamar de lance de Edson, que puxou Militão dentro da área, quase na cara do juiz. Jogada para pênalti, quase na metade do segundo tempo. Quem sabe poderia mudar o rumo da partida? Quem sabe?


O que se sabe é que Dorival Júnior manteve a base com a qual tem trabalhado e, na fase inicial, o time se comportou relativamente bem. Teve duas chances boas, até permitir que o Bahia ficasse na frente, com Régis aos 39 minutos. Pouco depois, aos 42, Mendoza aumentou a diferença. Foram duas falhas da defesa. Hernanes suavizou o drama ao marcar de pênalti, momentos antes do intervalo.

O segundo tempo foi um festival de tentativa e erro. A turma tricolor paulista indo à frente do jeito que dava, o pessoal tricolor baiano se segurando e à espera de um contragolpe. Dorival mexeu, empurrou o time para o ataque, na base do abafa, do seja o que Deus quiser. Bem o estilo de quem sente o desespero por não sair da maré ruim.

Esse roteiro às vezes tem final feliz – e o São Paulo conta com 19 rodadas para tirar os pés da lama. Como consolo há o fato de que outros concorrentes também fazem força para descer a ladeira. Mas, se de fato pretende evitar queda inédita, mais do que se dar bem diante dos que estão na parte de cima da tabela, precisa ganhar do pelotão de baixo.

Porque o campeonato que o São Paulo faz, por ora, é para não cair, é com o bloco do 11.º em diante. Infelizmente, é a realidade.

 

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