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Antero Greco

28 Janeiro 2016 | 02h44

Centroavante que se preza fica preocupado quando os gols desaparecem. Se levar muito a sério, perde o sono. Muito justo e assim que tem de ser. Artilheiro vive de mandar bola na rede.

Paolo Guerrero andava cismado com a secura que vinha desde agosto, muito tempo até para perna de pau. Imagina para um jogador que o Flamengo arrancou do Corinthians por muita grana e chegou à Gávea cheio de moral.

Por isso, o peruano tirou uma tonelada das costas, com os gols que marcou na vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-MG, na noite desta quarta-feira, no Mineirão, pela Liga Sul-Minas-Rio. A redenção veio no segundo tempo, depois de 0 a 0 na primeira parte, e ele foi o destaque do jogo.

Antes dos gols que garantiram os três pontos rubro-negros, na abertura da competição, Guerrero tinha atuação normal, sem nada de extraordinário. Algumas arrancadas, tentativas de chutes a gol, deslocamentos e dificuldade para chegar perto de Victor.

As chances apareceram só na etapa final, quando Cirino entrou no lugar de Gabriel e tornou o ataque mais insinuante. E a marca do goleador deu o ar da graça em duas bolas que sobraram na entrada da área: chutes certeiros e a consagração, o alívio, o sorriso de volta.

Então, o Fla está pronto? Não. Parecia o Flamengo dos últimos tempos – muita correria e pouco futebol.

Nem a presença de Muricy Ramalho deixava o torcedor rubro-negro animado, embora ele dissesse antes da partida que era um jogo de verdade. Foi um primeiro tempo todinho do Atlético, com direito a bola na trave, defesa incrível de Paulo Vítor e um quase milagre de Gabriel, tirando o gol que seria de Giovani Augusto.

O Galo tinha a inteligência de Dátolo. E o Flamengo não tinha ninguém para pensar o jogo. A bola não passava do meio-campo. Quarenta e cinco minutos que deixaram o Flamengo tonto em campo, com direito a apenas um chute descalibrado de Émerson Sheik, de fora da área.

Mas Muricy Ramalho é trabalho. O time voltou para o segundo tempo mais aplicado. Continuou sem um jogador criativo, mas empurrou o Atlético para dentro de seu campo, apesar dos 30 mil pagantes. E Victor fez sua primeira defesa logo aos 2 minutos.

Parecia uma outra partida. Veio um contra-ataque pela esquerda, veio a entrada de Marcelo Cirino no lugar de Gabriel e a bola começou a chegar aos pés de Guerrero Daí, os gols.

Falta um Dátolo na equipe da Gávea. E o técnico cujo lema é trabalho também sabe disso.

Há o que melhorar, tanto no Flamengo quanto no Atlético-MG. Mas valeu o aperitivo.

(Com Roberto Salim.)

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