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Esportes » Fifa sob nova direção: ou mais do mesmo

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Antero Greco

26 Fevereiro 2016 | 16h47

Meu amigo, a Fifa tem novo presidente. Trata-se do ítalo-suíço Gianni Infantino, eleito nesta sexta-feira em assembleia extraordinária da instituição. Ele assume em meio à crise provocada pela prisão de diversos integrantes da “família Fifa” e, principalmente, para preenchera vaga aberta com a renúncia de Joseph Blatter.

A mudança de comando representa, então, novos tempos para a dona da bola mundial? Só se você considerar que ocorreu transformação da água para o vinho na composição do Colégio Eleitoral. A turma que escolheu o novo mandachuva é praticamente a mesma de sempre.

As baixas, claro, ficam para aqueles que tomam café de canequinha em prisões ou saíram de cena porque sentiram que a maré não ficou para peixe. Exemplo próximo da gente: Marco Polo Del Nero, o titular afastado da CBF. A propósito: o coronel Nunes foi o representante brasileiro na sessão que alçou Infantino à cadeira principal.

Infantino teve o aval da Uefa, União Europeia de Futebol, a mais forte das Confederações que compõem a Fifa. Ela congrega o maior PIB do futebol, os principais times e algumas das seleções com história mais admirável. Ou seja, quem detém grande parte do controle.

O novo todo-poderoso da Fifa era homem de confiança de Michel Platini, até um tempo atrás cotado para o posto de Blatter. O francês saiu do páreo também acusado de corrupção. Mas, mesmo nos bastidores, conseguiu emplacar o candidato que mais convinha à Uefa.

Infantino apresenta-se como um técnico (no sentido amplo e não esportivo) e tem  simpatia, por exemplo, por Copa do Mundo com 40 seleções. Acha que, com isso, o torneio ganhará amplitude. Para tanto, faz comparação com a Eurocopa, que passou de 16 para 24 concorrentes por interferência sua. Também prometeu cargos a torto e a direito.

O cartolão ganhou a corrida contra outro europeu, um africano e dois asiáticos cheios da grana. Os métodos de convencimento de quinteto passaram das tradicionais promessas de atender aos interesses de cada região até a distribuição de presentes e mimos financeiros.

Ou seja: a Fifa muda, muda, para continuar a mesma.

Não foi subvertida a ordem. Antes, ela está mantida. Não haveria grande modificação, mesmo que tivesse vencido qualquer um dos outros quatro. Com uma diferença aqui, outra ali, era tudo variação em torno do mesmo tema.

A Fifa anda desmoralizada, mas os “parentes” voltam aliviados para casa. Os negócios podem ser retomados, em princípio, sem sustos.

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