Fosse o Levir, pegava o boné no Santos…

Antero Greco

20 Outubro 2017 | 18h40

Cada um sabe de sua vida e conhece onde apertam os calos. Portanto, deve explicações a si próprio e a pessoas chegadas. Ninguém tem de dar palpite, sobretudo em questões profissionais.

Mas, como o ser humano é palpiteiro por natureza, não há como evitar. Daí digo neste espaço meu e democrático: se fosse o Levir Culpi, pegava o boné e saía do Santos hoje. Isso mesmo, ia pra casa, descansar até o final do ano, comer muita castanha e panettone no Natal e depois pensar no futuro.

Por que essa conversa?

Porque ele passou por situação constrangedora nesta sexta-feira. Chegou do Recife demitido, conforme havia antecipado a direção. Estava rifado, para ficar no Português cru e direto. Os jogadores, cobrados por torcedores no aeroporto, souberam da dispensa e intercederam em favor do chefe. A cartolagem aceitou e ficou tudo igual, como se nada tivesse acontecido.


Como assim? Claro que aconteceu – e algo grave. Bem grave.A cúpula santista tirou o voto de confiança do responsável pela preparação da equipe. Na avaliação do grupo, Levir não atendia mais aos objetivos do clube e deveria ser trocado. Mais claro do que isso impossível.

A instabilidade da equipe, a queda na Copa do Brasil, na Libertadores e agora os empates seguidos nos últimos três jogos seriam indícios suficientes para reprovar Levir e justificar a mudança na reta final da temporada.

Pode-se discutir o acerto da medida, e há argumentos a favor e contra. A favor: Levir teve tempo para arrumar a casa e não o fez, mesmo com longa série invicta. Contra: Levir conta com grupo restrito e tirou o máximo, talvez além do que o Santos poderia esperar.

Um fato, porém, é inegável: a eficiência do “professor” foi colocada em dúvida, optou-se pela saída, ela foi anunciada – ou vazou. Tanto faz, questão de sutileza linguística. Um profissional rodado como Levir não precisa submeter-se a constrangimento do gênero. Quem sabe a grana que deixaria de receber tampouco pesasse demais no orçamento doméstico.

Mas cada um é dono do próprio destino. Levir fica, apesar do olhar enviesado da direção alvinegra? Ok. Que este mês e meio até a última rodada não lhe seja pesado.