Grandeza de campeões em Londres

Antero Greco

05 Agosto 2017 | 21h14

A final dos 100 metros no Mundial de Atletismo mostrou a grandeza de dois campeões – Justin Gatlin e Usain Bolt. O norte-americano venceu a prova mais nobre da modalidade, com o tempo de 9’92, enquanto o jamaicano ficou com a prata, com 9’95. O resultado provocou decepção no público que esteve no estádio Olímpico de Londres, que queria ver a despedida em grande estilo do “Raio”, o maior fenômeno das pistas em todos os tempos.

Mas, assim que cruzaram a linha de chegada, e sob o som das vaias da plateia, o campeão ajoelhou-se diante do terceiro colocado e lhe prestou homenagem. Mostrou o quanto respeitava a história, a trajetória, a qualidade, o valor do astro a quem conseguiu bater. Gesto bonito, de humildade, que só os valentes de espírito conseguem ter. Assim foi Gatlin.

Bolt não deixou por menos. Embora imaginasse que ficaria com a prata (foi para o norte-americano Christian Coleman, com 9’94), abraçou Gatlin e por vários segundos trocou palavras de carinho e incentivo com ele. O tricampeão olímpico, com essa atitude, referendou a vitória, desarmou a prevenção dos fãs. Enfim, provou que a elegância é para poucos, para os bons.

Bolt é um mito do Esporte, carismático, simpático, envolvente. Encantou torcedores por onde passou. Não foi diferente na despedida, na Inglaterra. Tanto que, mesmo medalha de bronze, roubou a cena, ao agradecer as pessoas que lotaram as tribunas. Ele foi o entrevistado, como se tivesse vencido a prova.


Gatlin, o campeão, emocionou-se e saiu da pista de fininho, quase a pedir desculpas pela ousadia de superar um mito como Bolt. A modéstia, naquela hora, só valorizou mais o extraordinário desempenho do norte-americano, que escreveu outra página de fairplay no esporte.

Parabéns para os dois.