Grêmio, tri impecável

Antero Greco

30 Novembro 2017 | 00h08

O Grêmio fez uma final de Libertadores de manual de como ser campeão na casa do adversário. Desde o início mostrou que não se incomodava com o fato de ser visitante e se comportou como se estivesse na própria arena: tocou a bola, fechou espaços e foi pra cima do Lanús. Uma forma de mostrar que estava disposto a mandar na decisão.

Os argentinos sentiram logo que a parada seria muito, mas muito mais complicada do que imaginavam. Na verdade, acusaram o golpe, pois Marcelo Grohe passou o primeiro tempo como espectador dentro de campo. Nem apareceu no vídeo, parecia inexistente. O Grêmio foi à frente, como havia prometido na véspera o técnico Renato Gaúcho.

Enquanto isso, Artur, Jaílson, Ramiro, Fernandinho controlavam o meio-campo, protegiam a defesa e davam tranquilidade ao time. Luan prendia bem a bola, Barrios abria espaços. A consequência dessa postura confiante foram primeiro tempo irretocável, dos melhores que vi nos últimos anos em finalíssima da competição.

Para completar e enroscar de vez o Lanús, vieram os dois lindos gols – de Fernandinho aos 27 minutos e Luan aos 41. Dois golpes certeiros, mortais, que jogaram o rival nas cordas. Praticamente um nocaute técnico. Só uma reviravolta histórica para tirar o tri tricolor.


O Grêmio cadenciou o ritmo na segunda parte, atraiu o Lanús, teve o pênalti (bem marcado) contra si, tomou o gol na cobrança de Sand (aos 27) e nem deu bola para isso. Continuou na dele, apostou no tempo e no nervosismo da turma local para fazer a festa. Ramiro ainda deu sopa para o azar, ao reclamar muito do juiz, depois de tomar amarelo, e foi expulso.

Mudou o astral do Grêmio? Nem um pouco. Deixou o tempo passar e esteve mais próximo do terceiro gol do que de levar o empate. Enfim, teve a consciência, a eficiência de campeão.

Com um detalhe importante, que fica para o fim mas merece ser destacado: o que se viu no La Fortaleza foi um jogo de futebol e não uma guerra. Felizmente, não teve a bobagem de que Libertadores é provocação, catimba, violência, baixaria. As duas equipes se preocuparam em jogar – e quando isso acontece brasileiros costumam se dar bem.

Alegria merecida para o Grêmio. E agora, por que não sonhar também com o Mundial? Por acaso é proibido? Avante!