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Antero Greco

17 Janeiro 2016 | 13h54

Crônica do jornalista Roberto Salim.

Uma menina pobre, esforçada, entra no mundo do boxe.

Logo ela se destaca e vai para a seleção brasileira, ganha medalha de bronze no Mundial do ano passado, na Coréia do Sul.

Ganha também foto enorme no Centro de Treinamento da seleção olímpica, no ginásio de Santo Amaro.

Clélia Costa é um pequeno fenômeno de esporte maltratado.

O boxe é de longe a modalidade que representa o povo lutador. Gente de origem humilde, guerreira, sonhadora.

Nós não vamos aqui defender o uso de doping.

Clélia era a grande esperança olímpica do Brasil, no esporte das luvas. Pesa 51 quilos. E todo esportista sabe o quanto é difícil dar o peso antes de qualquer combate.

Ela foi apanhada no exame antidoping: em sua urina apareceu furosemida, diurético que tanto serve para ajudar a baixar o peso, como pode ser usada para mascarar a utilização de drogas mais pesadas.

A segunda hipótese não merece consideração.

Porque atleta do boxe é pobre e não tem dinheiro para comprar drogas mais potentes. E porque o médico do time nacional é um profissional atento.

Mas voltemos a Clélia: foi punida com suspensão de 6 meses. Já estaria fora da Olimpíada do Rio. Acontece que agora a suspensão foi aumentada para dois anos.

O que estão querendo provar com isso?

Que o rigor no esporte brasileiro é grande. Que aqui não há doping.

Ora minha gente isso é uma piada. Das grandes.

Quando o atleta é de ponta e tem patrocínio, leva advertência por aqui.

Quando é do boxe ou do atletismo, a justiça vem com todas as letras, com todos os parágrafos.

É muita hipocrisia.

A agência ABCD (Autoridade Brasileira de Controle do Doping) entra em funcionamento no País com os mesmos maneirismos que sufocam o esporte nacional.

Aos poderosos tudo, aos pobres o rigor da lei.

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