Internacional testa os nervos da torcida

Antero Greco

05 Março 2015 | 01h05

Tentei colocar-me na pele do torcedor do Internacional, na noite desta quarta-feira, e senti calafrios. Fiquei tenso, nervoso e em alguns momentos revoltado com o que via no gramado do Beira-Rio, no desafio com o Emelec, pela terceira rodada do Grupo 4 da Libertadores. No apito final, aliviado com a vitória de virada por 3 a 2, o segundo resultado positivo em casa. Mas ainda com a pulga atrás da orelha a respeito de até onde irá o time com a instabilidade rotineira.

O Inter tentou o script normal de quem atua como mandante e tratou de enquadrar o Emelec. Foram 20 minutos muito bons, com direito a bola na trave (Vitinho) e o gol marcado por Nilmar, no fim . Depois, relaxou e expôs as falhas no sistema defensivo – na zaga, sobretudo. Em dois lances parecidos, permitiu a virada dos equatorianos, nos gols de Burbano e Mena. Bateu medo, que aumentou com a contusão de D’Alessandro, que se juntou a Aranguiz e Anderson na lista dos que têm problemas musculares.

A superação do Inter foi fundamental na etapa final. E começou com Alex, que havia entrado no lugar de D’Alessandro. Ele chamou a responsabilidade de guiar o meio-campo e apareceu para empatar, em jogada que passou por Nilmar como garçom. Daí em diante foi o Inter martelar, insistir, persistir, até virar com gol de Réver, um dos que eram criticados no primeiro tempo.

Foi vitória de dedicação, de peso da camisa, de amor. O Inter desdobrou-se, sofreu e transformou em aplausos o que era insatisfação e ensaio de vaias no intervalo. Continua na condição especial de depender apenas de si para prosseguir na Libertadores. Mas tem de encontrar ponto de equilíbrio para passar mais confiança para a torcida, para dar sossego ao técnico Diego Aguirre (ainda sem simpatia ampla) e justificar a condição de forte concorrente no torneio.

Ufa.