Jogando para a torcida

Antero Greco

22 Setembro 2016 | 19h52

Eurico Miranda subiu nas tamancas nesta quinta-feira para reclamar da arbitragem na partida em que o Vasco empatou com o Santos e foi eliminado na Copa do Brasil. Peter Siemsem descascou a atuação de Rodolfo Marques na derrota do Flu diante do Corinthians e que também significou desclassificação na mesma competição.

Ambos estão indignados com o nível dos assopradores e, como não poderia deixar de ocorrer, largam insinuações no ar.

Desta vez, foi a dupla de cartolas cariocas, assim como dias atrás foram dirigentes gaúchos, paulistas, mineiros. Sem contar os menos votados, de outras regiões, que vira e mexe deitam a linha nos assopradores.

O discurso é sempre o mesmo e soa como blablablá, conversa mole pra boi dormir, choradeira de perdedor. Mesmo que tenham razão em reclamações. No caso do Vasco, por exemplo, o segundo gol do Santos foi irregular. No do Flu, ao menos em meu entendimento ocorreram os dois pênaltis. E exagerada a expulsão de Marquinhos.


Ok, desta vez foram prejudicados e recorrem aos microfones para espinafrar. Por que não fizeram o mesmo em ocasiões em que seus times foram beneficiados? Por que o silêncio cúmplice, quando a polêmica muda de lado? Por que o discurso cheio de reticências de Dorival Júnior, após os 2 a 2 em São Januário, na base do “dali onde eu estava não deu para ver direito” (se foi falta ou não, no lance que deu origem ao segundo gol santista).

Essa é a questão que precisa ser sempre repetida. Os cartolas – a turma do mundo do futebol, em geral – só aparecem na catástrofe que atinge as próprias agremiações para acalmarem o ambiente. Para diminuírem responsabilidade deles, de treinadores e de jogadores. Fazem uma encenação para jogar para o público, para ficarem bem com a galera. Ou, o que é muito frequente, para se colocarem pressão nas arbitragens futuras.

Daí ficam furibundos, soltam o verbo, se inflamam, fazem dossiês, preparam DVDs, vão ao Rio, ameaçam processar este e aquele. Assim que baixa a poeira, voltam ao normal. Ou, tão logo seus clubes recebem algum afago, viram cordeirinhos.

Se querem, de fato, aperfeiçoar a arbitragem nacional que se unam, que façam um projeto de profissionalização, que pensem no bem comum e não apenas no próprio umbigo.

Caso contrário, viveremos eternamente nessa lenga-lenga de apito amigo, de armação, de campeonatos manchados.

E dá-lhe horas e horas de reprise de “lances polêmicos” e debates intermináveis.