Jogar pelo técnico ou por clube e torcida?

Antero Greco

31 Março 2015 | 19h40

O São Paulo viajou para Buenos Aires pressionado por cobranças e desconfiança de parte da torcida. Nos últimos dias não faltaram cartazes e barulho de descontentes na frente do Centro de Treinamento. O recado foi claro: se o time voltar com derrota do salto na Argentina, o tempo fecha.

Exageros à parte, o risco de agitação no Morumbi existe, pois a turma tricolor não consegue emplacar sequência boa na temporada. Nem tanto no Paulista, com classificação mais do que garantida. O nó está na Libertadores, com o risco de eliminação ainda na primeira fase. Daí a bronca generalizada, que vai de direção a Muricy Ramalho e jogadores.

Para mostrar união, nessas ocasiões é comum atletas saírem em defesa do técnico – sinal de solidariedade, ok. Mas também indício de que percebem que o “chefe” está sendo cozido em fogo brando.

Não foi diferente agora com o pessoal do São Paulo. Não faltaram promessas de que o grupo jogará “por Muricy”, como afirmou Pato, para ficar num exemplo. O discurso se repetiu com outros colegas dele. Fica a sensação de que, se houver vitória (ou bom empate), diante do San Lorenzo, tal fato de se deverá à boa vontade da trupe com o treinador.

Não acho isso feio, de forma alguma. Bonito quando se respeita um integrante do grupo. Mas, sinceramente, preferia que jogador sempre se esforçasse, até além da conta, por ele mesmo e pela camisa que defende. Por extensão, estaria jogando pelo técnico do momento e pelo torcedor.

A propósito: é curioso como grupos “se fecham”, como se tivessem existência própria, única, sem nenhuma ligação com clube ou com os torcedores. Como se fosse um mundo à parte.

Vai entender…