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Antero Greco

01 Fevereiro 2016 | 21h57

A morte não escolhe idade nem lugar. Todos sabem disso, ou deveriam saber.

Mas morrer aos 21 anos, tendo uma parada cardíaca num treino de futebol, é estranho. É fatalidade, claro, porém fora do normal.

O falecimento do jovem lateral Cláudio Canavarros, do XV de Piracicaba, foi mais uma dessas notícias que assustam quem trabalha com esporte, dentro ou fora de campo.

Está certo, os médicos diagnosticaram aneurisma, mas será que não havia como impedir este desfecho, com exames mais apurados antes do início da temporada?

Infelizmente, os casos se repetem. Os clubes se defendem, com a alegação de que fizeram todos os exames necessários. O mesmo médico com o qual falei hoje à noitinha e que relatou o aneurisma, me contou que um grande clube brasileiro preferiu economizar 120 reais por exame de jogador e realizou o check-up em clínica mais barata.

O médico é um dos expoentes da Medicina nacional. Não falou por falar, porém com o sentido claro que o barato aqui pode sair caro. Mas sai para o jogador, se ficar exposto a riscos.

Cláudio ia defender um clube que disputa uma das competições mais importantes do futebol pentacampeão do mundo. Passou pelas categorias de base do Santos e do Grêmio.

Todos agora lamentam, dirigentes do XV de Novembro, da Federação, do futebol em geral. Mas a jovem viúva, grávida de cinco meses, vai dizer o que para o filho, quando ele perguntar sobre o pai?

Profissionalismo no futebol não deve ser apenas na hora de botar dinheiro no bolso.

Crônica do jornalista Roberto Salim.

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