0

Antero Greco

28 Fevereiro 2016 | 00h27

Anderson Silva voltou, depois de um ano de suspensão, e… perdeu. Não vou entrar no mérito da decisão dos juízes da luta deste sábado do brasileiro contra Michael Bisping, no UFC Londres. Não é minha área, admito. Deixo análises técnicas para os especialistas na matéria.

O que me chamou a atenção foi a reação do astro brasileiro. O Spider cuspiu abelhas africanas, após saber do resultado, e não teve dúvida em abrir o verbo e falar em “corrupção total”. Jogou o revés nas costas dos jurados que avaliaram o desempenho dele e do adversário.

Anderson foi mais enfático ao acrescentar, após o “corrupção total”, que “às vezes é que nem no Brasil”. Epa, calma lá? Que papo é esse de aliar maracutaia só com o Brasil? Que história é essa de pensar que o país dele, meu, seu, é feito apenas de tramoias, roubalheiras e safadezas?

Não sou ingênuo, não nasci ontem e me incomoda ver sujeiras. Não gosto de ser garfado e sei que temos muita corrupção. Infelizmente, é fato. Essa praga vai dos pequenos deslizes do dia a dia até as mamatas bilionárias, que jogam no bolso de ladrões a saúde, a segurança, a merenda escolar e tantas outros direitos.

Mas o brasileiro é acima de tudo batalhador. O povo trabalha, se esfola, dá duro pra tocar a vida. Não merece ser jogado na vala-comum dos mutreteiros, como muitos desabafos mandrakes. Temos corrupção, mas não aceito o complemento de “total”.

Quanto mais se bate nessa tecla, mais se aprofunda a péssima imagem que nós temos de nós mesmos. E mais nos mostramos subservientes para os ladrões da pátria.

Anderson perdeu, tem o direito de irritar-se, vale criticar os critérios dos jurados. Pode até falar em falta de transparência. E não surpreenderá se, logo mais, vierem com proposta de revanche. Com bolsa milionária.

Mas não venha com a conversa de que “parece o Brasil”.

A propósito: não é Anderson que retorna às atividades depois do gancho por doping? Doping não é uma espécie de corrupção?

Mais conteúdo sobre:

Comentários