Palmeiras confuso, mas Dudu brilha

Antero Greco

16 Julho 2017 | 13h26

O Palmeiras acabou de encerrar série de três partidas com derrota. Bateu o Vitória por 4 a 2 no final de manhã de domingo de muito sol em São Paulo. Sol e tempo seco de inverno, daqueles de deixar a boca sem saliva. Alívio pra jogadores e pra torcida – mais de 36 mil estiveram no Allianz Parque.

Mas o brilho, pra valer, foi de Dudu, que chamou o jogo pra si, partiu para cima da zaga do time baiano, fez dois gols, construiu toda a jogada do terceiro. Enfim, foi o astro que se espera. Bom, para registro, entra também erro da arbitragem que resultou no primeiro gol verde, o do empate por 1 a 1, na marcação de pênalti inexistente sobre Mina.

O bom resultado veio, o alívio ocorre, porém é necessário constatar o óbvio: outra apresentação confusa do atual campeão brasileiro. O Palmeiras de 2017 só de longe, e de vez quando, de maneira esporádica, lembra aquele da temporada anterior. Se o time de 2016 era seguro, eficiente mesmo ser ser brilhante, o de agora se assemelha a um punhado de jogadores que correm pra cá e pra lá sem coordenarem o trabalho.

A instabilidade ficou evidente no primeiro tempo todo e em parte do segundo. Ah, espera aí, o placar foi folgado, alguém pode alegar. Se olhar só para os números, sim. A questão se concentra em ver o desempenho ao longo da partida – e este não agrada. O Palmeiras continua a safar-se de enrascadas mais por talento individual do que por conjunto. Não é por acaso que Dudu saiu de campo aplaudido como destaque.

O que houve de errado, então? Pra começar o sistema defensivo, que fica exposto, mesmo com a volta de Felipe Melo e com Tchê Tchê a reforçar a marcação. O Palmeiras permite muitos contragolpes, mostra buracos enormes na hora de se recompor. Isso realça, por exemplo, a perda de velocidade de jogadores como Dracena e Egídio.

O Vitória aproveitou-se disso e fez o primeiro gol, com 9 minutos, num chute de longe de Uillian. Depois, tratou de fechar-se. O Palmeiras ainda foi para o intervalo em vantagem, por causa do pênalti e pelo gol de Dudu em cima da hora.

Na segunda etapa, os dois times caíram de produção – talvez pelo calor, vá lá -, e o Palmeiras se livrou do risco de vexame com a inspiração de Dudu. Mas, de novo, houve instabilidade na criação no meio-campo e, por extensão, pouco apareceu Willian na frente. Borja, quando entrou, não mudou grande coisa – também raramente a bola chegou nele no pouco tempo em campo.

O Palmeiras ganhou, e isso é bom para aliviar pressão. Mas continua longe, muito longe, do ideal.

 

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