Palmeiras tem elenco e SP não é fim do mundo

Antero Greco

11 Março 2017 | 18h57

Clássico é  um alento para quem vence e um tormento para o perdedor. Sempre foi assim, não iria mudar agora.

Portanto, se justifica a alegria do torcedor do Palmeiras com os 3 a 0 na tarde deste sábado no Allianz Parque. E se entende a frustração do fã do São Paulo; não é fácil perder pela quarta vez na nova casa do adversário.

Resultado sem reparos nem polêmicas. Não houve lances duvidosos nem erros de arbitragem. Apesar do ritmo truncado, sobretudo no primeiro tempo, as divididas ficaram na média de jogos desse tipo. Um ou outro cartão amarelo, sem maiores consequências.

Mas posturas e constatações diversas. O Choque-Rei foi morno, sem graça até o gol de Dudu, já mais perto do intervalo. A roubada de bola quase no meio do campo, a percepção de que Denis estava adiantado e o arremate longe, certeiro, por cobertura. Para constrangimento do goleiro e de Rogério Ceni, que tomou dois desses, no mesmo local e gol, quando era o titular são-paulino.


O lance mudou a partida, de forma radical.

O Palmeiras voltou mais empolgado e o São Paulo desnorteado. Na segunda etapa, só a turma de verde jogou. Ignorou o adversário, trocou passes, criou mais oportunidades para aumentar a diferença – e conseguiu, com Tchê Tchê e Guerra. No último, contou com a colaboração de Douglas e Denis, que foram moles para a jogada. Mas, àquela altura, o tricolor já estava batido havia muito tempo.

O que ficou evidente no clássico. Primeiro, a importância de elenco variado e grande. O Palmeiras sente na prática como valeu a pena investir nesse terreno nas últimas três temporadas. Eduardo Baptista colocou meio time reserva, ou de jogadores que estão voltando à atividade (Fabiano, Tchê Tchê, Mina), e o desempenho não caiu. E o campeão brasileiro viu que, se for atrevido, pode impor-se em desafios, ao contrário do que ocorreu na derrota para o Corinthians.

Rogério Ceni deparou-se com uma bola cantada: o grupo do São Paulo é limitado. Tem um bloco de titulares e um ou outro reserva. Na hora em que perde jogador importante, como foi o caso de Cueva, a queda é acentuada. O estilo agressivo, ousado, virou fumaça, diante de uma marcação forte.

O melhor ataque do Paulistão não funcionou e a defesa, o setor mais frágil do time até agora, ficou exposta como sempre. Resultado: o desastre dos 3 a 0, que poderiam ser mais, se o Palmeiras forçasse mais a barra. Mas não é o fim do mundo: há tempo para correções, para busca de equilíbrio entre a vontade de fazer gols e o risco de tomá-los.