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Esportes » Palmeiras vence. Mas precisa mais para acalmar torcida

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Antero Greco

16 Fevereiro 2017 | 21h52

A torcida do Palmeiras não tem a fama de “corneteira” por acaso. Talvez por causa das raízes, ainda hoje carrega características dos italianos: é exagerada, tanto nas comemorações como nas cobranças. Vai do céu ao inferno, e vice-versa, de um momento para outro. Quem jogou lá sabe bem o que é isso.

Pois bem, dá para entender o porquê das vaias que já se ouviam no Allianz Parque antes da metade do primeiro tempo do jogo com o São Bernardo, na noite desta quinta-feira. Não necessariamente concordar com o público. O palestrino anda impaciente no que considera demora para o time deslanchar. E, claro, o alvo preferido por ora é Eduardo Baptista. O técnico chegou sem fama, com currículo modesto, e tem a tarefa árdua de colocar logo a “máquina” para funcionar.

E a verdade é que a máquina verde precisa de ajustes, diversos. A equipe campeã brasileira não se engrenou tampouco se soltou. O que é compreensível, em início de temporada. Mas também não se pode tirar a razão do torcedor, pois a base de 2016 foi mantida e ainda vieram vários jogadores. Ou seja, opções o treinador tem, e de sobra.

Falta encaixar sistema e peças. Eduardo Baptista quer o Palmeiras diferente daquele de Cuca. Para tanto, precisa de tempo – e de resultados. A derrota no final de semana, além da oscilação mostrada até agora, deixou a galera com um pé atrás. E, diante das dificuldades no jogo com o São Bernardo, a impaciência veio à tona.

O Palmeiras não fez bom primeiro tempo. Se a defesa quase não foi incomodada, o meio criou pouco e Willian de novo ficou esquecido no ataque. Chances de gol? Uma ou duas, no máximo e com boa vontade na contagem. No segundo, Eduardo mexeu, e colocou Michel Bastos no lugar de Roger Guedes (saiu vaiado e é candidato a perder vaga no time), Rafael Veiga em substituição a Guerra (não esteve bem) e Keno por Moisés (ainda fora de condições ideais).

As mexidas melhoraram o time, sobretudo na transição da defesa para o meio. A marcação também melhorou, assim como a velocidade. Como resultado, vieram oportunidades de gol, a primeira aproveitada por Dudu (que não comemorou, em protesto desnecessário) e outra completada por Jean, ao cobrar pênalti sobre o mesmo Dudu. Houve espaço para um terceiro gol.

O Palmeiras tende a evoluir, obrigatoriamente até, pela qualidade do elenco. E Eduardo Baptista merece crédito, por questão de justiça. Um teste de fogo será na semana que vem, no dérbi com o Corinthians. E a prova maior virá com as rodadas iniciais da Libertadores.

A dúvida: o palmeirense terá calma, diante de eventuais tropeços? Vitórias animam, mas o Palmeiras precisa mostrar mais para passar confiança para as tribunas.

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