Palmeiras sofre derrota para servir de alerta

Antero Greco

12 Fevereiro 2017 | 22h27

O Palmeiras não jogou nada contra o Ituano. Fato. Como também é fato que se trata de início de temporada. Ou seja: reconheça-se a jornada ruim, na derrota por 1 a 0, neste domingo, mas sem pânico. Por enquanto. Há espaço e tempo para ajustes.

O campeão brasileiro foi confuso, de cabo a rabo, na segunda rodada do Paulistão. No primeiro tempo, em Itu,  ainda esboçou alguma coisa. Nada, porém, de extraordinário, que levasse o torcedor a suspirar ou a imaginar outra vitória no Estadual. Atuação comum, normal.

No segundo, em muitos momentos pareceu um catadão e não um time que se supõe candidato a brigar por títulos em todas as competições de que participar. Tomou o gol, marcado por Guly aos 6 minutos, e até os 51 minutos, quando Raphael Claus deu a última soprada, ciscou, girou, errou passes e não assustou Fábio, goleiro adversário. Foi um festival de horrores, uma bagunça generalizada.

Eduardo Baptista veio com Guerra como novidade, além de Jean no meio-campo, para suprir a ausência de Tchê Tchê. Com isso, Fabiano entrou na direita. Com poucos minutos de bola a rolar, o lateral se machucou e teve de sair. Jean recuou para a defesa e Thiago Santos ocupou vaga no meio, ao lado de Felipe Melo, Roger Guedes e Dudu. À frente, Willian Bigode.


No papel, bom time. Na prática, não aconteceu coisa alguma. O Ituano marcou bem, fechou espaços e o Palmeiras zanzou de um lado para o outro. Dois ou três chutes de praxe.

O panorama ficou feio na etapa final, sobretudo depois do gol. Quando se esperava reação, o que se viu foi equipe sonolenta, com uma autoconfiança ainda injustificável. Parecia que os jogadores tinham convicção de que chegaram ao empate na hora em que quisessem.

O tempo passou, não acontecia coisa digna de registro. Eduardo apostou em Keno (no lugar de Roger Guedes) e depois, na tentativa de ser ousado, trocou Edu Dracena por Alecsandro. No papel, ficariam três jogadores ofensivos, além de Dudu e Guerra, os mais habilidosos.

Sabe no que resultou? Em nenhuma jogada perigosa. Nenhuma. Chutões, cruzamentos inúteis e chutes travados – foi a isso que se limitou a pressão verde. Criatividade zero. Para não dizer que não houve um aspecto positivo, fica o registro dos bons toques de Guerra no primeiro tempo. No segundo, ele sucumbiu à desordem total.

O jogo só terá valor didático, se Eduardo fizer uma análise fria e chegar à conclusão de que precisa tirar mais, muito mais, do elenco. Por justiça, merece crédito, pois não se pode esperar time pronto em três ou quatro partidas. O torcedor, também, precisa ter uma dose de paciência. Não é hora de pedir Cuca. Mas uma coisa é certa: o jovem técnico já percebeu o tamanho da responsabilidade que é dirigir o Palmeiras.