Quem segura o Corinthians?

Antero Greco

17 Março 2015 | 22h16

Dias atrás, escrevi que o Corinthians estava com jeito de que iria longe na Libertadores. Nem tanto pela beleza do futebol, mais pelo equilíbrio entre os setores e pela eficiência. Pois a rapaziada de Tite continua a confirmar essa impressão. Sem sufoco, sem pressão bateu o Danubio por 2 a 1, na noite desta terça-feira, em Montevidéu, e dispara na liderança do grupo, com 9 pontos. Está dentro.

O resultado veio com naturalidade, no ritmo corintiano. Ou seja, cozinhou o galo sem pressa, enrolou o adversário, gastou a bola de tanto fazê-la ir pra lá e pra cá, até o momento do bote. Os chutes demoraram a sair, no primeiro tempo, em função também da boa marcação uruguaia. O goleiro Torgnascioli quase não teve trabalho, assim como Cássio.

A história mudou na segunda parte, na qual o Corinthians mandou, passeou no gramado do pequeno estádio Luis Franzini. O Danubio só serviu de sparring e se viu impotente, limitado, para segurar a onda brasileira. Contou para essa reviravolta a liberação de Elias; bastou ele se soltar, para tornar as jogadas de ataque mais perigosas. Não por acaso, sofreu pênalti, que Renato Augusto mandou por cima do travessão. Depois, se aborreceu ao ser substituído por Danilo.

A maturidade alvinegra se viu naquele episódio. Não alterou uma vírgula no autocontrole. Ao contrário, parece ter ganhado confiança. Resultado: os dois gols. O primeiro, com Guerrero, aos 25, e o outro com Felipe aos 34. Fora outras arrancadas – numa delas, Guerrero perdeu a chance de fazer o terceiro. O gol de Barreto aos 47 foi só para não deixar os anfitriões na secura total.

O Corinthians encorpa na Libertadores, muita coisa ainda tem pra acontecer. Mas esse time dá pinta de que caminho aberto para chegar às fases decisivas. E deixa no ar a questão: quem está em condições de brecá-lo, ao menos por enquanto?