São Paulo aos pedaços

Antero Greco

09 Julho 2017 | 22h05

A camisa é gloriosa, os jogadores são esforçados. Mas isso não transforma o São Paulo em time. Nos últimos tempos, dá agonia vê-lo em campo, pois parece mais um catadão de churrasco de fim de semana. Não por acaso está em penúltimo lugar no Brasileiro, situação inédita ou no mínimo rara para quem tem títulos como poucos. De chorar.

O mais recente capítulo do calvário tricolor foi escrito na noite deste domingo, no clássico com o Santos. A equipe que o técnico interino Pintado mandou a campo jamais havia atuado. Contou até com duas novidades – Arboleda e Gomez, contratados dias atrás e que, com pouco tempo de treinamentos, já ganharam a condição de titulares. Não que lhes faltem condições para jogar; mas entraram por necessidade absoluta de compor a defesa e o meio-campo.

Pintado herdou o fardo, após a saída de Rogério Ceni e à espera do início do trabalho de Dorival Júnior. Tratou de armar esquema que evitasse vexame – em outras palavras, optou por defender-se. Conseguiu segurar o Santos quase até o intervalo. Aos 43, num dos raros lances mais agudos, a turma casa abriu o marcador, com Copete.

Pronto, a desvantagem foi suficiente para colocar mais pressão sobre o Tricolor. Sem coordenação, sem criação, sem rumo viu Copete fazer outros dois, na segunda etapa. A insegurança ficou tão escancarada que se refletiu na cobrança de pênalti, que Pratto mandou na trave. Para não dizer que não houve mérito, ainda vieram os gols na reta final, com Shaylon e Arboleda. Falsa ilusão de que ainda seria possível chegar ao empate.

A sorte do São Paulo, se assim se pode escrever, está na má qualidade de diversos outros participantes da Série A. Tem muito time a fazer esforço para entrar no rebaixamento. Em outras palavras, basta uma sequência de bons resultados para espantar o fantasma.

Porém, tem de ser logo, e que tenha o Inter de 2016 como parâmetro. O Colorado contava com elenco, tempo e confiança para sair do sufoco. Dormiu no ponto e acordou na Série B.

Por falar em despertar, o Santos aprumou-se, por ironia depois da saída de Dorival Júnior. As vitórias voltaram, Lucas Lima resolveu jogar de novo, outros cresceram de produção e agora está entre os quatro melhores. O desafio é manter a toada forte.

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