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Segundo jogo, primeiro susto do Palmeiras

Antero Greco

05 fevereiro 2016 | 00:52

Acabo de entrar no prédio onde moro e, na porta do elevador, encontro uma vizinha fanática pelo Palmeiras. É daquelas que acompanham o time pra cima e pra baixo. Toda uniformizada de verde e branco, voltava do Pacaembu, com duas reclamações.

Uma relativa ao próprio estádio – “Como é difícil sair de lá!”. Outra, mais específica, em relação ao time, que suou para empatar com o São Bento por 2 a 2. “Uma hora deu raiva, porque voltou aquele esquema de só bicão pra frente!”

A preocupação da vizinha faz sentido; o palestrino tem trauma dos chutes sem direção que no ano passado serviam como válvula de escape para pressão na defesa e tentativa de armar um contragolpe. Na maior parte das vezes, não deu certo.

Não que a equipe tenha abusado desse recurso – ou falta de recurso – no jogo desta quinta-feira. Não foi tanto assim como reclamou a fã. Mas, depois de levar a virada, o time se desconcertou por um bocado de tempo. E, em vez de compensar com jogadas bem elaboradas, apelou para a pressa, como forma de encurtar o espaço.

O Palmeiras deu o primeiro susto do ano, mas num momento em que isso é possível e permitido. Os jogos desta fase do Paulistão servem para aprimorar esquema, para corrigir erros, para observar jogadores. E, com isso, serem feitos ajustes, para a Libertadores e para as etapas decisivas do torneio estadual.

Cobranças devem existir, claro, mas vale dar desconto. Desconto até para Leandro Almeida, que fez uma presepada no gol de empate do São Bento. Ele anda queimado com a torcida e pode queimar-se ainda mais, se Marcelo o colocar na geladeira, como insinuou.

A falha de Leandro foi o retrato do Palmeiras naquela fase do jogo. Depois de início muito bom, com o gol de Gabriel Jesus com 5 minutos e domínio total, relaxou, tirou o pé e achou que poderia vencer quando e da forma como quisesse. A presunção foi o erro verde. Com isso, o time de Sorocaba acordou, empatou, virou e por pouco não venceu.

O Palmeiras demorou a se acertar. Na verdade, nem se acertou, pois passou 25 minutos no segundo tempo sem dar um chute a gol. Empatou em cima da hora, com Vitor Hugo, na base da raça e da vontade. E menos como consequência de trabalho tático.

Há o que evoluir; o importante é Marcelo e jogadores não ficarem só na autocrítica, o que já é alguma coisa. Interessa é que, em seguida, evitem a repetição das lambanças.

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