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Antero Greco

17 Fevereiro 2016 | 22h07

Parto do princípio de que deve haver boa vontade com trabalho novo. Daí, o desconto para dificuldades que o São Paulo tem encontrado, nas primeiras apresentações sob o comando de Edgardo Bauza. O treinador chegou ao clube há pouco tempo, pegou grupo modificado e tenta dar-lhe uma cara. Cedo para exigir resultados magníficos. Cedo também para escrachadas.

Feitas as ressalvas, agora a constatação imediata, óbvia e indesmentível: a apresentação tricolor diante do The Strongest, na noite desta quarta-feira, foi uma decepção e tanto. Não só por causa da derrota por 1 a 0; ela, em si, já seria motivo para desalento. Mas pelo futebol confuso, sem graça, fosco que Dênis, Ganso e companheiros mostraram no Pacaembu.

O São Paulo teve domínio de bola – e daí? Esse aspecto, muitas vezes exaltado pelos adoradores de cifras e estatísticas, não significou grande coisa. Ou, antes, revelou que a turma brasileira não soube como furar a retranca boliviana. A ponto de o goleiro Vaca não ter sido obrigado a trabalhar em demasia. Na verdade, não fez nenhuma grande defesa, daquelas de arrancar suspiros da própria torcida e de dar raiva na dos rivais.

Raiva a galera são-paulina sentiu ao perceber a equipe impotente para criar, incomodar. O lance mais significativo, no primeiro tempo, foi um arremate de Kardec que não valeu. A frustração aumentou no segundo tempo, com o gol de Alonso que definiu o placar. Pior: The Strongest quase aumentou, só na base do contragolpe.

A defesa até que não foi um show de horrores. Mas meio-campo e ataque sucumbiram. Michel Bastos e Ganso esboçaram lançamentos e ficaram no quase. Centuriòn e Kardec mal pegaram na bola, e não mudou muito com Rogério e Kiesa. Nem com a entrada de Calleri no lugar de Hudson, quando Bauza apelou para três atacantes.

O São Paulo mereceu as vaias. E, mais preocupante: deixou no ar a mesma interrogação que carrega desde o ano passado. Há tempo para recuperação, claro. Mas saberá aproveitá-lo? Terá condições para tanto?

Ok, um pouco mais de crédito, vá. Para não parecer má vontade. E seria bom jogadores baixarem a crista, em vez de saírem de campo calados, num estranho pacto de silêncio. Ou será que não teriam mesmo explicação para o futebol ridículo?

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