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Apoiar ou vaiar?

Luiz Zanin Oricchio

16 Setembro 2006 | 10h48

Recomendo a todos a leitura da excelente coluna do Marcos Caetano, hoje no Caderno de Esportes do Estadão. Caetano elogia a torcida do Boca Júniors, que apóia o seu time em qualquer circunstância. E lembra de uma ocasião em que os hinchas continuaram a incentivar o Boca, dentro da Bombonera, mesmo quando o time estava perdendo por 6 a 0 (sim, 6 a 0) para o Racing. Segundo o nosso “Boleiro” dos sábados, a torcida assim permaneceu, cantando o tradicional “Dale, dale Boca”, durante meia hora depois de terminado o jogo em que o seu time havia sido impiedosamente goleado, e dentro de casa.

Dá para imaginar um comportamento assim da torcida de qualquer um dos nossos grandes times? Não dá. E o Marcos Caetano entende que, em parte, é graças ao apoio total da torcida que o Boca é o que é – o maior vencedor de títulos internacionais do mundo, tendo superado o Milan e o Real Madrid. (Certo, precisaria checar que títulos são esses, compará-los, etc. Mas isso não diminui a força do argumento. O Boca é mesmo um sucesso).

Já as nossas torcidas são o oposto. Apóiam durante algum tempo, em especial quando o time está vencendo (e portanto não precisa tanto de apoio). Quando surgem as dificuldades, as torcidas logo ficam em silêncio e, se as coisas pioram, voltam-se contra o time. Perseguem jogadores e xingam o treinador de burro. Durante o andamento do jogo.

Confesso que não sei por qual dos lados me decidir. Me comove o apoio total dos torcedores do Boca, religioso, fanático, cheio de amor. Por outro lado, entendo que os torcedores também devem ser respeitados e têm o direito de exigir que os jogadores do seu time honrem a camisa que vestem.

A coisa fica assim: amor incondicional ou direito à cobrança? Como resolver essa questão? De que lado você fica?