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Depende do ponto de vista

Luiz Zanin Oricchio

26 Setembro 2006 | 18h41

Ver um jogo no estádio ou pela TV são experiências diferentes. Isso todo mundo sabe. Mas um jogo também não é o mesmo quando visto de partes diferentes do estádio. Domingo fui à Vila Belmiro ver Santos 3 x Flamengo 0. Fiquei atrás do gol, lugar de que não gosto muito pois acho que tira um pouco a visão do desenho tático dos times e não se vê bem o que acontece na outra metade do campo. Mas foi bom ter ido lá. Reparei pela primeira vez numa moçada que canta e incentiva o time o jogo inteirinho. Não param um momento sequer. Fazem como a tão elogiada torcida do Boca Juniors. De lá onde estava, podia ver à minha esquerda a sempre gélida galera das sociais. Sentadinhos, tranqüilos, como se estivessem assistindo a um concerto de música clássica. Pelé estava na Vila, em seu camarote. Foi saudado como aquilo que é – um rei – por todo o estádio. Menos pelas sociais, que lá permaneceram em seu canto, indiferentes a tudo. A moçada que torcia atrás do gol, durante o intervalo foi reverenciá-lo com um cântico que parecia um mantra de paixão “O rei Pelé, o Rei Pelé, ôo…” Olhei para as sociais. Impávidas, acima dos mortais. Só se levantam na hora do gol. E olhe lá. Pelé? Não era com eles. Existem classes sociais distintas no interior de um estádio de futebol. E cada uma olha o jogo de maneira pelo menos um pouco diferente das demais.