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O choro é livre, mas há erros demais

Eliana Souza

24 Maio 2007 | 20h04

Os dirigentes do Botafogo, que estão indignados com os erros da Ana Paula de Oliveira no jogo contra o Figueirense, obviamente não demonstraram a mesma indignação há duas semanas, quando o time foi beneficiado pelo erro bisonho de Carlos Eugênio Simon, que não deu um pênalti claríssimo a favor do Atlético Mineiro contra o mesmo Botafogo. Dias antes, os botafoguenses haviam reclamado de Djalma Beltrame, que deu um impedimento inexistente de Dodô num lance que poderia dar ao time o título carioca contra o Flamengo. E os rubro-negros, que nesse dia ficaram quietinhos, espernearam depois contra o argentino Héctor Baldassi, que não deu pênalti claro para a equipe diante do Defensor, na Libertadores.

Reclamações existem provavelmente desde que a bola começou a rolar, ainda no século 19, nos colégios ingleses. E são vários os relatos de jogos que foram interrompidos, nos primórdios do futebol brasileiro, porque os jogadores simplesmente foram embora de campo, indignados com marcações dos árbitros – coisa praticamente impensável em tempos atuais de tanto interesse comercial. Na própria decisão da civilizada e biliardária Liga dos Campeões o técnico derrotado, Rafa Benítez, do Liverpool, saiu reclamando porque o árbitro encerrou o jogo 20 segundos antes dos três minutos de acréscimo – mostrou o relógio até ao presidente da Uefa, Michel Platini, ao receber sua medalha de vice-campeão.

O que há de se lamentar, porém, é o excesso de erros cometidos nos últimos tempos, basta ver quantos casos foram citados em algumas linhas de texto, e todos em jogos decisivos. Sinal de que, até agora, de pouco adiantou a cartilha lançada pela CBF que compara o trabalho no futebol aos sinais de trânsito. Nossos homens de preto (ou de amarelo, ou de azul) precisam estudar mais. E, se eles dirigem como apitam, eu é que não ando de carona com um deles.