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O Corinthians não ganha? A culpa é da imprensa

Almir Leite

19 Outubro 2006 | 12h03

Torcedor corintiano, fique tranqüilo. Seus problemas acabaram. A garantia é dos Cassetas (ou seria melhor escrever Patetas) que compõem o elenco que colocou um clube com uma das mais belas histórias do futebol mundial na maravilhosa situação em que se encontra no atual Campeonato Brasileiro. Eles descobriram o que (ou quem) está prejudicando o time. A imprensa. Para resolver o problema, decidiram fazer greve de silêncio. Nada mais justo. Afinal, foi a imprensa que tomou 13 gols em quatro jogos, que não consegue ganhar nem de timecos como o tal do Lanús, que na cara do goleiro adversário chuta a bola quase para fora do estádio… Foram os jornalistas que jogaram com “disposição incomum” no Maracanã na derrota por 3 a 0 para o Flamengo – que depois de fazer o terceiro parou de jogar, não por pena ou respeito aos companheiros de profissão, mas, ao que parece, se poupando para o amistoso que realizaram na quarta-feira à noite nos EUA contra o América do México (perderam por 2 a 1). São os repórteres que jogaram o Timão na zona do rebaixamento. Então, nada de falar com eles, que as vitórias voltarão. E os torcedores, que mal ou bem ficam sabendo das notícias de seu clube por meio da imprensa, que se danem.
Não vou aqui nem escrever sobre a covardia que uma greve de silêncio representa em momentos como o que passa o Corinthians atualmente. Aliás, vou escrever sim. Fazer greve, nesse caso, é atitude covarde porque nela está embutida o medo de se expor, de dar explicação, de receber cobrança, de ser confrontado com atitudes anti-profissionais que prejudicam companheiros e por conseqüência a equipe. Sem contar que não se tem notícia de jogador de time grande que tenha coragem de fazer greve contra dirigentes (patrões, portanto) que administram mal o clube, não tratam jogadores com respeito, atrasam salários…
É evidente que o jogador não é obrigado a suportar “inverdades” ditas por jornalista. Mas, nesse caso, devem se acertar (cobrar, conversar, discutir, processar…) do detrator e não fazer greve contra toda a imprensa. Até porque, se os jogadores são acusados de tentar derrubar o técnico por dois profissionais (profissionais conceituados, ressalte-se) e reagem fechando a boca, se omitindo, no mínimo eles dão o direito às pessoas de achar que as acusações têm fundamento.
Mas tudo voltará ao normal assim que o time voltar a vencer (ou melhor, quando voltar a vencer) e os jogadores passarem a ser pageados novamente. Para isso, porém, é necessário que os “heróis” que entram em campo com a camisa do Corinthians atualmente o façam pelo menos com raça (que pode ser entendida como sinônimo de coragem), cm vontade, dedicação. E olhe que não estou exigindo nem que joguem futebol, porque simplesmente não se pode exigir de alguém que faça algo que não sabe — e tem muita gente no Parque São Jorge que ainda não aprendeu a jogar bola. Mas vergonha na cara todo ser que veste a camisa do Corinthians tem obrigação de mostrar.
Para terminar, duas observações. A primeira, todo mundo já percebeu: o Corinthians não tem comando. A segunda, começa-se a perceber. O autoritarismo cada vez mais latente revela que o Leão está virando um gatinho… Pena, pois é um bom treinador.