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Parreira não teve culpa – Parte 2

Adriana Plut

10 Setembro 2006 | 03h04

Agradeço a todos pelos comentários sobre o texto referente ao Parreira, colocado no ar na sexta-feira, neste blog, em que ‘disse’ considerá-lo isento da maior parte da culpa pelo fracasso brasileiro na Alemanha. Muitos deles criativos, outros bem-humorados, alguns ofensivos. Li observações inteligentes, corretas e coerentes e gostaria de encerrar o tema – de minha parte – colocando questões e rebatendo alguns pontos levantados pelos internautas.

1 – A convocação
Todos – ou quase todos – elogiaram a lista feita por Parreira antes da Copa. Depois da derrota, é fácil bombardeá-lo. Na minha opinião, o Parreira não tinha grandes opções no banco. Por exemplo: muitos pediram a saída do Roberto Carlos da lateral-esquerda. Mas seu substituto, Gilberto, teve temporada medíocre pelo modesto Hertha Berlim. Aí, inteligentemente, questionaram o motivo de ele ter convocado o Gilberto. A verdade é que não havia grandes opções. O Gustavo Nery foi desastroso no primeiro semestre pelo Corinthians. O Júnior vinha se machucando muito pelo São Paulo. E o Serginho, do Milan, anunciou, faz tempo, que não jogaria mais pela seleção. Sobrou o Gilberto. O que mostra, também, que nosso futebol não é tão cheio de astros como nós, brasileiros, imaginamos. Não é tão melhor que o futebol dos outros. Basta olhar o baixo nível do Campeonato Brasileiro. Não chegar a uma final de Copa é normal. O problema é que nossa expectativa estava muito acima da realidadade. E, por isso, a decepção acabou tomando proporções exageradas.

2 – A apatia do time
A maioria elegeu a apatia dos atletas como determinante para a derrota no Mundial – concordo plenamente. Muitos culparam o Parreira por essa apatia – desculpem-me, mas aí não dá para concordar de jeito nenhum. Será que pessoas inteligentes, consagradas, viajadas, milionárias, acostumadas a grandes eventos, como Ronaldo, Kaká, Ronaldinho e Emerson, precisavam de um técnico gritando do banco para se motivar. O estádio de Frankfurt estava lotado para Brasil x França. Nas ruas, havia milhares de pessoas sem ingressos tentando entrar de qualquer maneira na platéia. Os bares estavam cheios. Milhões de pessoas pelo planeta paravam na frente da televisão. Jornais, rádios, sites, tevês faziam grande cobertura da partida. O prestígio estava em jogo. Muito dinheiro estava em jogo. A história do futebol estava em jogo. A cotação de cada atleta estava em jogo. Será que Ronaldinho, Kaká e Ronaldo precisavam de alguém no banco gritando em seus ouvidos para lhes mostrar a importância daquele Brasil x França? Nem o mais burro e insensível dos jogadores não enxergaria o tamanho da importância do duelo contra os franceses. É demais culpar o Parreira pela apatia dos jogadores. E quem prestou um pouquinho de atenção viu que Raymond Domenech, vencedor naquela noite de 1.º de julho e vice-campeão mundial, quase não se mexeu. Quase não gritou. Quase não abriu a boca. Será que ele precisava berrar no ouvido do Zidane e do Henry para contar que aquele era um jogo de Copa do Mundo?

3 – O quarteto mágico e a defesa exposta
Agora virou moda criticar o quarteto mágico. Mas todos – ou quase todos -queriam esse tal de quarteto antes da Copa. Muitos até temiam que Parreira o desmontasse. Só que o treinador foi corajoso e o utilizou na Alemanha. Não tem culpa de o Ronaldinho ter sido medíocre, tímido, fraco, apagado… Não tem culpa de Kaká ter sentido dores dias antes do jogo com a França ou de Robinho ter se machucado. Alguns escreveram que o quarteto deixou a defesa muito exposta e desequilibrou o time. Muitos talvez não tenham percebido, mas o Brasil sofreu apenas 2 gols na Copa – um deles contra o Japão, em jogo que não valia nada, e outro contra a França, em lance duvidoso (não havia impedimento por milímetros). Teve uma das melhores defesas da Copa e fechou a competição com saldo positivo de 8 gols. Não estou dizendo de jeito nenhum que o Parreira foi perfeito (ao contrário, ele cometeu várias falhas), mas não é justo colocá-lo como grande culpado. O maior fracasso, na minha opinião, foi dos badalados astros brasileiros.

4 – Não ganho nada para defender o Parreira
Só para encerrar, sou pago mensalmente pelo Grupo Estado, há 7 anos. E para fazer reportagens para o jornal. E não recebo – e jamais recebi em minha carreira – nenhum centavo de jogador, treinador ou dirigente. Graças a Deus, ao meu trabalho e ao meu caráter, não preciso disso. Apenas coloquei minha opinião neste blog aberto aos jornalistas da empresa. Embora eu tenha feito a cobertura da Copa, acho que o Parreira nem me reconheceria se me encontrasse na rua. É provável que nem saiba meu nome. Apenas expus minha opinião. Com a qual, aliás, ninguém é obrigado a concordar.